quarta-feira, 30 de outubro de 2013


Capitulo 19

Na lanchonete, Viviane conversava com Raquel sobre o assunto da festa.
- Ai, eu não acredito na cara de pau da Nicole! – disse Raquel quase entortando o copo de suco – ela é tão oferecida! Ela só fez aquilo porque sabe que eu gosto do David! – percebeu o desinteresse e a apatia na expressão de Viviane. Decidiu mudar de assunto – Vih, você sabe porque a Rebeca saiu daquele jeito da festa?
- Ah! – Viviane foi pega de surpresa – ela... Só estava se sentindo mal... – sabia que não podia contar a razão de Rebeca ter saído da festa.
- Sabe, eu estava pensando em ir falar com ela sobre a organização da festa de aniversário... – sugeriu Raquel.
- Boa ideia! Ela... Precisa de você! – disse Viviane, pois sabia que Raquel era a melhor amiga de Rebeca e era quem mais ela precisava agora.
- O quê?... Vih aconteceu alguma coisa que vocês não me contaram? – perguntou a outra preocupada.
- Não, claro que não! – afirmou Viviane. E para desvencilhar-se dos olhares de Raquel, decidiu ir embora – ah... Eu tenho que ir! Dever de casa, sabe - retirou-se afoita.
David lembrava-se das palavras de Rebeca.”Você é a ultima pessoa no mundo que eu poderia pensar em me apaixonar!”. Lembrou-se do ódio e aversão que sentia no voz dela. Só tinha feito papel de idiota. As cartas eram para Pedro. Pedro! Por quem sempre foi apaixonada.
Sentou-se bruscamente no sofá com as mãos na cabeça. As palavras martelavam em sua mente. Sentiu ódio de si mesmo por ter se permitido sentir algo por Rebeca.
Sheyla entrou de súbito e se deparou com a bagunça do apartamento. E perto do abajur estilhaçado no chão, David com a guitarra. Ele tocava com se quisesse liberar o que estava sentindo pelas notas.
- David está tudo bem? – Sheyla perguntou se aproximando. David aumentou o som do instrumento – David o que aconteceu? – não recebeu resposta.
Então,imediatamente ela desconectou o cabo da guitarra. David rapidamente retirou o instrumento de si e atravessou a sala.
- Foi a Rebeca! Ta legal? – gritou com raiva – era ela quem escrevia as cartas!... Para o Pedro!
- Eu não entendo! – falou Sheyla confusa.
- Eu só fiz papel de idiota! – curvando-se sobre a mesa bateu os punhos fortemente – isso foi um erro!...Eu nunca mais vou me deixar me envolver denovo! – falou seriamente.
Enquanto isso, Pedro conversava com seus amigos Tomás e Henrique na lanchonete.
- Eu não entendo o que a Nicole viu no David – dizia Henrique com raiva, pois sempre tinha tido uma queda por Nicole – O que ele tem que eu não tenho?
- Claro! Porque tirando a beleza, dinheiro e inteligência, você tem tudo cara! – riu Tomás irônico.
- Mas e aí Tomás – perguntou Pedro – E a Julia do acampamento? Ela estava te dando mole ontem no clube!
- Não, foi só diversão! – afirmou ele – Agora eu to pensando em outra... Raquel!
Riram pela arrogância de Tomás. Sabiam muito bem que Raquel não era de andar com qualquer um. Mas Tomás adorava um desafio.
- Como está a nossa aposta Pedro? – perguntou Tomás – ...Como foi com a Rebeca na festa?
- Digamos que depois da festa, a Rebeca nunca mais vai querer falar com o David! – riu malicioso.
Rebeca voltava do parque, pensava no que tinha acontecido. Engraçado como havia imaginado esse encontro com Pedro. Mas era David quem estava ali. Foi para ele que de alguma forma tinha mandado as cartas. Foi ele que disse as palavras que sempre quis ouvir. Foi ele que a magoou por uma aposta ridícula. Apesar do ódio que sentia, não podia negar o que sentiu quando quase chegou a beijá-la.
Raquel veio a seu encontro. Parecia animada.
- Oi amiga! – cumprimentou ela – onde estava? – percebendo que estava toda molhada – aconteceu alguma coisa?
- Oi Raquel! Eu... Só estava dando uma volta! – tentou justificar-se.
- Bem, eu tenho que te contar todas as minhas ideias sobre o seu aniversário! – pegando em seu braço, puxou-a para dentro da casa animada.
Apesar de Raquel não saber a dor que estava sentindo, estava feliz de ter sua melhor amiga por perto.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013


Capítulo 18


Seu corpo todo estremeceu ao vê-lo. O que David tinha vindo fazer ali? Não queria vê-lo, não queria sequer sentir ele perto de si. A expressão no rosto dele era de surpresa tão igual a sua. Seu corpo estava todo molhado. Ele se aproximou.
- Rebeca... – disse ele. E sua voz soou como um suspiro de um desejo realizado.
Rebeca não conseguiu evitar de tremer quando ele disse seu nome.
- Eu... Não entendo... O quê está fazendo aqui? – perguntou ela. Mal conseguindo proferir as palavras.
Como que ignorando completamente a pergunta da garota David se aproximou.
- Eu... Nem acredito que é você... – falou ele. Seus pensamentos iam entre confusão e felicidade.
Rebeca,então, percebeu o engano. Seu sangue congelou. Todo esse tempo havia escrito as cartas para David!
- Não... Isso não pode estar acontecendo! – disse finalmente ela – Não pode ser você! Não pode! – tentou gritar, mas ao senti-lo se aproximar sua voz saiu como um sussurro.
- Eu... não consigo parar de pensar no que aconteceu... – disse ele andando até ela – e sei que você também não...
- O que está dizendo? – seus pensamentos revolviam-se dentro de si.
Rebeca sentiu seu coração bater mais forte e a cada passo que David dava em sua direção ela recuava. Até deparar-se com a árvore. Não havia saída. David estava a um palmo de distância.
- Eu... gosto de você Rebeca! – ele se perdia em seus olhos.Buscando ali as palavras que precisava – E... eu não consigo parar de pensar em você...
Rebeca se surpreendeu ao ouvir suas palavras. Quis aproximar-se. Quis tocá-lo. Porém, lembrou-se das palavras de Pedro. E da cena na festa. Ele só a estava usando. E provavelmente isso tudo só fazia parte do seu plano.
- O quê acha que eu sou? – gritou ela – Mais uma na sua lista?... – olhou-o fixamente. Expondo todo o ódio e desprezo que sentia por ele – Eu nunca deveria ter confiado em você!!!
- Eu não entendo... – titubeou confuso. Seus pensamentos começaram a turvar-se.           
- Isso foi tudo um engano David! Eu nunca escrevi as cartas para você! – quis que ele senti-se a mesma dor que provocou – ...Elas eram para o Pedro!
- Pedro? 
De repente, David sentiu uma enorme fúria revoltar-se.  Aproximou-se do rosto de Rebeca irado
 – Claro! – disse fixando os olhos em um ponto – Como eu fui idiota... eu já devia saber que é daquele imbecil que você gosta!
- Como tem coragem de falar dele depois de tudo o que fez? – gritou ela surpresa com a arrogância dele.
- O quê? – David disse sem saber do que Rebeca o acusava.
- Ele me contou!Você só estava me usando pra ganhar uma aposta idiota!
David apoiou o braço perto dela e encarou-a.
- É isso mesmo que acha de mim?... – a expressão em seu rosto mudou – Acho que me enganei... Isso foi um erro! – sentiu ódio de si mesmo por ter-se permitido sentir algo por Rebeca.
- Acha mesmo que eu poderia me apaixonar por um cara tão egocêntrico e desprezível como você? – disse ela e sua voz soava com ódio – Todo o seu egoísmo e desprezo pelos sentimentos dos outros... só me fizeram pensar que você é a última pessoa no mundo que eu poderia pensar em me apaixonar!!
Fez se um grande silêncio.Só se pôde ouvir o som da chuva que caia.Os dois se olharam.
David aproximou-se do seu rosto.Rebeca sentiu sua respiração ofegante.E não pôde evitar que ele aproxima-se seus lábios dos seus.Ela o olhou nos olhos.
- Me desculpa .. – David disse a um passo de sua boca.Se distanciou – por ter te feito perder o seu tempo! – e se retirou.
Após David sair, Rebeca trêmula encostou-se a árvore.Permitiu que sua lágrima caísse junto a gota da chuva. Ainda sentindo como se ele estivesse ali.

sexta-feira, 25 de outubro de 2013


Capitulo 17


Rebeca não conseguiu evitar que suas lágrimas caíssem. Tudo que havia sentido, tudo que havia acontecido, não passava de uma mentira. Parte de um plano. Quando fechava os olhos, via a cena de David beijando Nicole. ”Ele não gosta de você!... ele só estava usando você, pra ganhar uma aposta!”. Lembrava-se com dor das palavras de Pedro. Nunca mais ia querer ver David novamente. Sentia ódio. Talvez, um ódio tão maior, do que tudo que havia sentido por ele.
No dia seguinte, David estava em casa. De alguma forma, não conseguia parar de pensar em Rebeca. Lembrou-se de seus olhos trêmulos com medo de entrar na água, e da confiança que lhe entregou ao pegar em sua mão.Precisava vê-la. Esse desejo o assaltou. Não conseguia explicar o que estava sentindo.
Seus pensamentos foram interrompidos por Sheyla, que parecia ter estado observando-o a algum tempo.
- Está esperando o quê? – perguntou Sheyla aproximando-se.
- ah – David assustou-se – Do que está falando?
- O que você está esperando pra ir atras da Rebeca? – vendo o incômodo dele – Eu te conheço David. Sei que está tentando fugir!
- Fugir do quê? – disse olhando um ponto fixo – eu não tenho medo de nada.
- Do que sente por ela... David, você gosta da Rebeca!... E tem que dizer isso a ela.
Rebeca ainda estava em seu quarto quando Viviane chegou.
- Rebeca por quê você não voltou com a gente ontem da festa? – indagou Viviane e ao ver a expressão de tristeza de Rebeca – meu Deus, o que aconteceu?
- Aconteceu... – começou Rebeca – que eu sou uma idiota Vih... O David só estava me usando – fez uma breve pausa – pra ganhar uma aposta!
Viviane sentou-se ao seu lado surpresa.
- Eu não acredito que cheguei a pensar... – continuou Rebeca – que estivesse apaixonada por ele... Agora tudo que consigo sentir é ódio! – uma lágrima caiu de sua face.
Enquanto isso, David foi até a casa de Rebeca. Precisava falar com ela. Apertou a campainha firmemente. Porém, quem o atendeu, foi seu pai, Sr. Paulo. Ao vê-lo, o pai Rebeca, não conseguiu disfarçar sua antipatia por ele.Pois, sabia que o pai de David era o réu de acusação de seu novo caso como advogado.E era acusado de ter desfalcado milhões de uma empresa.
- Sim? – perguntou o pai de Rebeca rispidamente.
- Ah... Sr. Paulo, eu sou...
- Sei muito bem quem você é! – falou em tom agressivo.
- Preciso falar com a Rebeca... Ela está? 
- Não acredito que minha filha tenha algo a tratar com o senhor!...E seria melhor que ficasse longe dela! – e bateu a porta.
- Droga! – disse David irado.
- Tem certeza Rebeca? – Viviane não conseguia acreditar que David havia feito isto.
- Tenho! – afirmou Rebeca – o David não gosta de mim, ele nunca gostou, foi tudo uma mentira!... O único que gosta de mim é o pedro.
Saiu da cama em um pulo, com tom de decisão.
- O que vai fazer Rebeca?
- Está na hora de dizer pro Pedro que sou eu quem escreve as cartas! – resultou decidida.
- Tem certeza Rebeca?... Não está fazendo isso porque está com raiva do David? – indagou-a Viviane.
Rebeca não a ouviu. Iria escrever uma carta para Pedro para que a encontrasse no dia seguinte, e diria a verdade a ele.
No dia seguinte, David recebeu a carta de Rebeca. Sheyla perguntou sobre o que se tratava. Como ele não respondia, ela pegou a carta de sua mão.
- Sua admiradora? Ela quer te encontrar hoje?... Onde?
- No parque... – falou sem mostrar interesse.
- Não está curioso?
- Sei lá...  Eu acho que não me importo mais!
- David... - sentou-se ao seu lado - Acho que mesmo sem saber o que sente pela Rebeca, ou quem é essa garota... Tem que encontrá-la e esclarecer tudo! – aconselhou Sheyla.
Chovia uma grande tempestade.Rebeca correu para que não se molhasse. Se abrigou em uma grande árvore do parque. Mas, infelizmente já estava toda encharcada,e suas roupas coladas ao corpo. Encostou-se para descansar da corrida. Estava ansiosa e amedrontada ao mesmo tempo.
De repente, sentiu uma presença atrás de si.Virou-se.
- David? – disse de súbito, exasperada.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013


Capítulo 16


- O quê?
O rosto curioso de Viviane a encarava.
- Aconteceu... – Rebeca fez uma grande pausa – algo entre em mim e o David quando estávamos perdidos.
- Mas... – Viviane disse surpresa – eu pensei que odiasse o David!
- Eu sei! Mas, ele não é como eu pensava! – Rebeca falou quase envergonhada.
- Mas e o Pedro? – perguntou sua amiga.
- Eu não sei mais o que sinto por ele... – Rebeca mudou a expressão.
- Rebeca, você gosta do David? – indagou Viviane.
Nessa hora o coração de Rebeca congelou. Isso era o que ela mesma se perguntava sem parar. A verdade é que tinha sentido com ele o que nunca tinha sentido antes.
- Sinceramente eu não sei Viviane... Só me prometa que não dirá nada a Raquel, você sabe que ela gosta muito dele... – implorou Rebeca a sua amiga. Que concordou em guardar o segredo.
Enquanto isso, Pedro e seu amigo Tomás conversavam:
- Olha só – anunciou Tomás – recebi uma mensagem da festa no clube do pai da Nicole!
- Será que a Rebeca vai? – perguntou Pedro.
- Você ainda acha que pode ganhar a aposta?... Sei não cara... Depois do que aconteceu... – começou Tomás.
- Do que você está falando? – perguntou Pedro confuso.
- Todo mundo do colégio está comentando que pode ter rolado alguma coisa entre Rebeca e David quando eles estavam lá – falou o outro.
Pedro pensou por um instante. Não podia deixar nada atrapalhá-lo. David não ia conseguir nada com Rebeca.
Viviane ainda estava com Rebeca, quando recebeu uma mensagem:
- Oh meu Deus! Rebeca eu recebi uma mensagem da Raquel, vai ter uma festa no clube hoje! – anunciou Viviane entusiasmada.
Rebeca hesitou em ir à festa. Mas como Viviane não parou de insistir ela concordou.
À noite no clube, Rebeca chegava com suas amigas Viviane e Raquel, quando avistou David conversando com Nicole. Ela ficou estática, não sabia se era bom vê-lo, por isso tratou de evitar que ele a visse.
Suas amigas foram conversar com Nicole, que se vangloriava por ter trazido a banda de David para tocar. Raquel morria de ciúmes e raiva de Nicole. O show começou, e Rebeca não evitava olhar para David. O que deixou Pedro furioso. Julia, amiga de Nicole, acenava para Tomas.
- Julia o que você está fazendo? – perguntou Nicole.
- O Tomás não é lindo? – disse Julia, num tom de ingenuidade como era de sua personalidade.
- Eu não te entendo, como você pôde ficar com um fracassado como o Tomás no acampamento? Você precisa ficar com alguém do seu nível, como eu! – e olhou para David.
- Você acha que ele vai te pedir em namoro? – perguntou Julia.
- É claro! – disse arrogantemente Nicole.
Quando o show acabou David agradeceu. Nicole, então, subiu no palco. E agarrando David pela jaqueta, o beijou na frente de todos. Rebeca sentiu como um choque, viu-o retribuir o beijo. Imediatamente saiu do clube magoada.
Pedro, percebendo a situação, foi atrás dela. Raquel não conseguia se aguentar de raiva de Nicole.
Ao sair do clube correndo, Rebeca foi parada por Pedro.
- Rebeca o que aconteceu? – Pedro perguntou, pegando em seu braço.
-... Nada! – tentou desviar a feição. 
- Eu acho que sei o que é!... É o David, não é?... Rebeca, ele te enganou!
- O que? Do que está falando? – perguntou ela confusa.
- Ele só estava usando você!... Pra ganhar uma aposta!
- Eu não entendo... – Rebeca não podia acreditar no que estava ouvindo.
- É verdade! Ele só estava tentando te conquistar! Ele não gosta de você! – Pedro com a mão subiu o queixo de Rebeca até seus olhos – ...Eu gosto!
Rebeca sentiu um grande peso, que se misturava entre dor e confusão.
- Eu... Tenho que ir! – Ela desvencilhou-se de Pedro e saiu.
Pedro ao vê-la sair magoada, sorriu. Tinha conseguido o que queria. Rebeca nunca mais ia querer ver David de novo.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013


Capitulo 15


A equipe de busca, junto com todos os alunos e pais, avançava perto da vala, para encontra-los.
De repente, Rebeca e David, puderam ouvir a voz deles. E imediatamente pediram socorro. O chefe, então, pediu calma a euforia de todos. E mandou que jogassem uma extensa escada para eles.
Rebeca foi a primeira a subir, encontrou com seu pai, que a abraçou forte.
- Filha está tudo bem? Se machucou? – perguntou o pai de Rebeca, como sempre preocupado.
- Não pai, está tudo bem! – disse ela para acalmá-lo.
David subiu em seguida, e foi logo recebido por Sheila. Que o abraçava emocionada
Pedro se aproximou e abraçou Rebeca. Então, o chefe pediu para que eles fossem levados para o hospital. Pedro levou Rebeca, que se virando, não conseguiu evitar olhar para David.
Depois, que Rebeca saiu, Sheyla foi conversar com David:
- David, eu liguei para o seu pai! – disse ela.
- O quê? – respondeu David surpreso. Não conseguia suportar a ideia de ver seu pai.
- Ele é seu pai David! Ele precisava saber! – contestou ela.
- Ele não é meu pai! – gritou David furioso – ele escolheu não ser quando me abandonou! – e saiu.
No hospital, David estava na sala de enfermaria, quando recebeu a visita de seu pai. Parecia ser um homem muito rico e distinto. Veio acompanhado com dois seguranças, que deixou a porta da sala.
- O que esta fazendo aqui? – disse David com raiva.
- Vim ver se meu filho está bem! – justificou-se ele. Repousou as luvas sobre o balcão – sua amiga me ligou...
- Não precisa se explicar! Eu sei como me achou! – completou David – e não há nada o que fazer aqui!
- Filho não esqueça que pode voltar comigo para Espanha! – falou seu Pai num tom carinhoso, que não parecia ser de sua personalidade.
- Claro... Sabia que não tinha vindo aqui à toa! – David pegou sua jaqueta – lamento, mas perdeu seu tempo! – e saiu batendo a porta.
Seu pai foi atrás dele, quando deu de encontro com o pai de Rebeca Sr. Paulo.
- Sergio Martins! – disse o pai de Rebeca ao vê-lo, o que não parecia ser um encontro amigável.
- Oh! Dr. Paulo! Que prazer em revê-lo! – falou em tom irônico.
- O que faz aqui? – perguntou o outro.
- Vim para ver o meu filho é claro! – o justificou arrogantemente.
- David? David é seu filho? – falou surpreso – Espero que não esteja no sangue! – completou Dr. Paulo.
- Um Martins é sempre um Martins! – afirmou Sr. Sergio – soube que pegou o caso... É melhor desistirem! Não há nada que possam provar contra mim!
- Assim veremos! – afirmou o pai de Rebeca.
- Muito bem, nos vemos no tribunal! – Sr. Sérgio saiu com um jeito imponente.
No dia seguinte, David estava em casa quando recebeu uma ligação de Nicole:
- Alô?
- Oi David! É... Eu tava pensando se a gente não pode se encontrar no clube hoje? – convidou ela.
- É, parece ser uma boa Nicole! Mas... Acho que eu não estou no clima hoje!
- Ah, mas vai fazer um esforço não é? Sabe, é que o meu pai é o dono do clube e eu estava pensando se eu não poderia pedir pra vocês tocarem aqui! - falou com uma voz insinuante.
- Sério mesmo? – exclamou David animado – é... Tá legal, a gente se vê!
Rebeca, sentada em seu quarto, só conseguia pensar no que tinha acontecido. Se fechasse os olhos poderia sentir novamente aquele beijo. Seu coração começou a bater forte. ”Será que eu estou começando a gostar do David?”. Pensou. Não queria nem sequer pensar nisso. Sua amiga Raquel não estava com ele, mas ela conhecia seus sentimentos por David. E tinha Pedro.
Seus pensamentos foram interrompidos por Viviane, que chegou super animada ao ver a amiga.
- Vivi! – disse Rebeca, e a abraçou.
- E ai amiga tudo bem? – disse sentando-se ao seu lado.
- Claro! To ótima! – respondeu Rebeca tentando disfarçar sua preocupação.
- Eu estava pensando se gente não pode sair, você precisa se distrair depois do que aconteceu!
Rebeca voltou seus pensamentos no acampamento. Em David.
- Sobre o que aconteceu...- começou Rebeca -  Eu tenho que te contar uma coisa...

sábado, 19 de outubro de 2013


Capítulo 14

Já se completavam dois dias do desaparecimento de David e Rebeca. A equipe de busca procurava sem sucesso alguma pista que os levasse até eles. Porém, quando já entardecia e podia se ver o crepúsculo, andando por uma mata fechada, acharam as mochilas deles.
Então, o chefe da equipe ligou para o professor dizendo que haviam encontrado suas mochilas e suspeitavam que eles pudessem ter caído na vala. O professor ligou para os alunos e pais, e imediatamente todos se dirigiram para o acampamento.
Enquanto isso, David e Rebeca se esquentavam em uma fogueira. Já havia escurecido, e fazia uma bela noite cheia de estrelas, tais quais nunca tinham visto antes.
- É tão estranho! – disse Rebeca rindo.
- O quê? - virou-se para ela.
- A gente se entendendo! - ela sorriu.
Os dois riram. Era incrível como ainda não haviam brigado.
- Sabe... – começou ela – eu sempre achei que você fosse um cara metido e mau caráter, mas... Você é bem legal.
- E eu sempre achei que você fosse só uma patricinha... Parece que eu estava enganado.
Os dois olharam-se por um instante.
- Sabe, nós nem sempre fomos ricos, meu pai teve que dar muito duro pra conseguir o que a gente tem... – Rebeca olhou fixamente a fogueira – às vezes eu sinto que... Eu quero fazer a mesma coisa... Lutar para ter um bom futuro, sabe?
- Pelo seu próprio esforço! – disse David subitamente.
Rebeca sentiu que pela primeira vez alguém a entendia. E percebeu que eles tinham mais coisas em comum do que imaginava.
- Eu sei como é! Meu pai acha que toda essa historia de banda é uma idiotice...- continuou ele.
- Eu não sabia que você... – Rebeca falou surpresa.
- Eu também não... Foi há uns dois anos atrás, depois que minha mãe morreu, descobri que meu pai não estava morto! – baixou os olhos. De alguma maneira aquele assunto não o agradava – ele é um ricaço que nunca se importou se eu existia!
- Talvez não seja tão ruim... Pelo menos você tem alguém agora. Que se importa com você!
- Ele não se importa comigo... Ele só quer alguém  pra continuar seus negócios... – ele fechou os punhos. Possuía o olhar perdido. De repente, sorriu mais descontraído  – É melhor não falarmos mais nisso!...Soube que vai fazer dezoito anos.
- É! As meninas estão planejando fazer uma grande festa, com baile...
- Um baile?
- Sim! – Rebeca percebeu em David certo desconforto – ...O que foi?
- Não, um baile é legal, só não é muito a minha praia, só isso!
- Por quê? – perguntou ela.
- Por que... Eu... Não sei dançar... – David disse com certa vergonha.
- O quê? Sério? - o encarou surpresa.
Rebeca levantou-se. Estendeu a mão para ele.
- O que foi? – David a olhou sem entender.
- Vem, vou te ensinar a dançar! - afirmou ela.
David hesitou sem jeito, porem, acabou cedendo as insistências dela.  Ele levantou-se e se aproximou.
- Muito bem David... Coloca as mãos na minha cintura!
David ficou sem reação. Com as mãos, então, ela colocou as mãos dele sobre sua cintura.
- Tudo bem, agora eu coloco as mãos no seu ombro! - falou ela autoritária. E com certa cautela, deslizou as mãos sobre o ombro dele.
Conforme Rebeca comandava David fazia, mostrava-se um pouco desajeitado, mas com um tempo foram se tornando mais suaves seus passos. No entanto, sem perceber David tropeçou, e caiu com Rebeca sobre ele. Os dois não conseguiram segurar o riso. Com os rostos perto um do outro não conseguiram evitar se olharem, e de repente se calaram. Rebeca envergonhada saiu de sobre ele.
- O que foi? – perguntou ela quase vermelha.
- Nada! – tentou ele consertar-se de não ter conseguido evitar olhá-la.
- É a minha aparência não é? Eu devo estar horrorosa depois de três dias sem maquiagem... – falou ela. Sem demonstrar, porém, nenhum tom de futilidade.
- Não, você está linda! –  sobressaltou-se ele aproximando-se -... Você é linda...
Rebeca o olhou. Seus olhos a desejavam. Deixou-se se perder neles. Sentiu David se aproximar. Sentiu seus lábios contra os seus. Com uma força que se misturava com sutileza. Como a expressão de um sentimento reprimido. E se surpreendeu, ao perceber que queria aquele beijo. Ela o queria. Tanto quanto ele.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013


Capítulo 13

Rebeca hesitou ao ver a mão de David a convidando a entrar na água.
- Eu... Não sei nadar – disse com medo.
- Confie em mim! – David aproximou mais ainda a mão para Rebeca. A olhou diretamente.
Ela devolveu a expressão hesitante. Porém, achou em seus olhos novamente, aquela confiança que necessitava. Pegou em sua mão e deixou que ele a guiasse até a água.
Ao entrar no rio, sentiu a água muito fria. David foi levando-a até o meio. Rebeca de repente perdeu a sustentação e caiu segurando-se nos ombros dele. Fez se um grande silêncio entre os dois. Então, David, pegando nos braços de Rebeca a puxou para dentro da água. Ela pode ver a luz da noite iluminando o fundo do rio. Nunca tinha visto algo tão belo.
Embaixo da água ela soltou-se dele e mergulhou. Nunca tinha se sentido tão viva. Tinha perdido todo o medo. 
Eles voltaram para a superfície. Rebeca ria emocionada com o que tinha feito.
- Eu nem acredito! – disse ela animada – obrigada David! – de repente uma expressão de tristeza dominou seu rosto – Acho... Melhor a gente voltar!
- O que foi? – David pegou na mão dela. Que se esquivou rapidamente.
- Eu... Só estou cansada... - respondeu retirando-se da água.
No dia seguinte, a equipe de busca andando pela trilha, achou uma garrafa de água. Constataram que pertencia a eles. Então, seguiram o caminho para encontrá-los.
David levantou-se e viu que Rebeca não estava. Ao entrar na mata que levava a cachoeira, ele a encontrou sentada em uma pedra. Seu pensamento parecia longe.
- Sabia que te encontraria aqui! – David não recebeu nenhuma resposta. Mas percebeu que ela estava preocupada – Porque saiu ontem daquele jeito? – disse aproximando-se e sentou-se ao lado.
- Eu... – ela baixou os olhos – Não devia estar me divertindo enquanto estão todos desesperados atrás de mim!
- A culpa não é sua! – falou ele.
Rebeca estava começando a ter dúvidas se realmente conseguiria sair daquele lugar e ver seu pai e seus amigos novamente.
- Quer ver a melhor parte desse lugar? – ele convidou.
Ele a levou para um rio enorme que se localizava perto da mata. Era muito mais transparente com a luz do dia.
- “Vamo cai”? – perguntou David a Rebeca para que entrasse na água.
- Ah, nem pensar! Prefiro ficar seca, obrigada! - ela recusou contrita.
David, então, tirou a blusa e entrou na água.
- Vem Rebeca!Não sabe o que esta perdendo! – gritou ele após mergulhar.
- Nada do que disser vai me convencer! Eu não vou me molhar! – gritou ela relutante em cima de uma pedra.
De repente, David mergulhou na água como se estivesse se afogando. Rebeca pensou tratar-se de uma brincadeira. Porém, ele demorava em voltar à superfície. Ela começou a ficar preocupada. Chegou até a ponta da pedra. E olhou dentro do rio.
- BU! – gritou David por trás de Rebeca.
Rebeca gritou. E sem equilíbrio, caiu na água com força. David riu muito ao vê-la furiosa. Ele estendeu a mão para ajudá-la a sair. No entanto, ela puxou a mão dele e ele caiu na água. Os dois mergulharam. E quando voltaram a superfície não puderam segurar o riso.
Rebeca tinha se esquecido de sua tristeza. Somente ele a tinha feito se sentir assim.

terça-feira, 15 de outubro de 2013


Capitulo 12

David apoiou Rebeca em seu braço. Aproximou-se para sentir se estava respirando. Com ela em seus braços, estranhamente, se sentiu vivo, confiante, no entanto, culpado pelo o que tinha acontecido, por isso, não ia deixar que nada acontecesse a ela.
Após isso, Rebeca deitada sobre a grama, começou a ter febre. E enquanto dormia, de repente veio-lhe a mente a queda que sofrera. Lembrou-se que chegou a ver David  puxá-la da água antes que perdesse a consciência.
Ela acordou de sobressalto, ofegante. Quando olhou para o lado viu que havia algumas frutas. E próximo a ela David, dormindo encostado em uma árvore. Ela chegou perto. Viu que ele estava bastante machucado e sujo.
- David! – chamou Rebeca aproximando-se e vendo que ele acordara.
Ela sentou-se ao lado dele.
- Eu queria – começou ela – te... Pedir desculpas... Eu não queria falar aquilo. Eu disse na hora da raiva...
- Eu entendo... – exclamou ele olhando fixamente para ela.
- Não... A culpa não é sua David! Você salvou minha vida... Obrigada!
Pela primeira vez Rebeca o olhou. E pela primeira vez, com gratidão.
Depois, no acampamento, o professor conversava com as equipes de busca.O chefe da equipe disse que eles poderiam ter se perdido muito longe da área de pesquisa. E por isso, deveriam começar imediatamente. Após as equipes de busca saírem, o pai de Rebeca chegou desesperado.
- Minha filha, onde ela está? – perguntou o senhor se dirigindo ao professor.
- Calma Sr. Paulo! Eu já mandei equipes de busca para procurá-los. Ela vai ser encontrada!
De repente o Sr. Paulo sentiu uma forte dor. O professor ao vê-lo ficou preocupado.
- Senhor Paulo está tudo bem? Quer que eu chame um médico?
- Não... Está tudo bem! Nada de médicos! – respondeu o senhor rudemente.
Depois, Rebeca tentava subir em uma árvore, quando David avistou-a.
- O que está fazendo? – perguntou ele, estranhando vê-la naquela situação.
- Tentando pegar comida! – disse ela, tentando subir.
- Cocos?
- É melhor do que nada!
- Desiste Rebeca! Você nunca vai conseguir! - riu-se debochado.
- Por quê? Porque sou mulher? – defendeu-se orgulhosa.
- Claro! – provocou.
- Você vai ver! – falou furiosa.
Rebeca tentou colocar a mão no galho mais próximo, porém, ao tentar agarra-se a ele, escorregou caindo com força sobre o chão.
- Eu não disse? – riu-se David.
No entanto, enquanto ele ria, um dos cocos caiu sobre sua cabeça.
- Obrigada! - disse ela pegando o coco - vai querer? - perguntou debochada.
No acampamento, as equipes de busca anunciavam que não os tinham encontrado. Os alunos pediram para que o professor deixasse-os ficarem lá., mas ele não permitiu, porém, prometeu que os manteriam informados.
David e Rebeca comiam em volta de uma fogueira.
- Quem diria que uma garota como você saberia se dar tão bem aqui! – disse David impressionado.
- O que quer dizer com “uma garota como eu”? – ela o encarou desconfiada.
- Nada! É só... Difícil de acreditar!
- Meu pai sempre me levava para acampar quando eu era pequena! – de repente ela baixou os olhos – ele deve estar desesperado!
David percebeu a tristeza nos olhos dela e se aproximou.
- Tudo bem! A gente vai sair daqui! – sentou-se perto dela olhando em seus olhos.
- Como David? – perguntou Rebeca, mostrando certa fragilidade que não era normal de sua personalidade.
- Eu prometo! Eles vão nos encontrar! - sorriu. 
De repente, Rebeca se surpreendeu ao achar em seus olhos a confiança que precisava.
- Deixa eu te levar a um lugar? – convidou David – eu achei um lugar aqui... e eu quero te mostrar.
Ela, então, sorriu concordando.
Guiada por David, Rebeca entrou em uma pequena mata.  Até o ver mostrar uma bela e pequena cachoeira. Era incrível a beleza do lugar. Com a luz da lua as águas ficavam quase como cristalinas.
- É muito lindo! – ela titubeou olhando quase estática aquela paisagem.
- Vem! – disse David estendendo sua mão para ela.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013


Capítulo 11

Rebeca sentiu seus pés penderem sobre o chão. Uma enorme vertigem misturada com um terrível medo a atacou. Ela tentou apoiar um de seus pés na enorme rocha, mas eles resvalaram, junto com pequenos pedaços que se quebraram. David pôs toda a sua força tentando segurar a mão de Rebeca, porém já conseguia sentir sua mão escorregando. E não pôde evitar que ela caísse.
Imediatamente, David pulou a enorme vala para salvar Rebeca. Ele acabou caindo em um rio. Mergulhando tentou encontrá-la, mas sua visão estava turva, pois a águas eram escuras. Finalmente, ele a encontrou, e conseguiu levá-la a superfície.
No entanto, ao tentar acordá-la, viu que a garota estava inconsciente.
Enquanto isso, no acampamento, todas as duplas já tinham voltado. O professor perguntou a Viviane se estavam todos ali.
- Professor Gustavo, a Rebeca e o David ainda não voltaram! – informou ela.
- David e Rebeca? – indagou o professor – bom, vamos esperar até que voltem, enquanto isso, montem as barracas e façam a fogueira!
- Acorda Rebeca! Por favor, acorda! – disse David colocando as mãos no rosto de Rebeca, que não dava sinal de resposta.
Desesperado, ele procurou uma saída daquele lugar, mas viu que se tratava de um imenso buraco sem nenhuma saída aparente, e que não havia modo de escaparem.
- Socorro! – gritou ele, mas só conseguiu ouvir o eco de sua própria voz.
O professor começou a ficar preocupado, pois as horas passavam e não se via nenhum sinal dos dois.“Está escurecendo”. Pensou ele. ”Quando anoitecer esse lugar vai ficar muito perigoso, temos que procurá-los”. Então, ele juntou os alunos, e pediu que pegassem suas lanternas e saíssem para procurar David e Rebeca. Mas que voltassem em meia hora, pois não queria correr o risco de que alguém mais se perdesse.
David, cansado de chamar por ajuda, se sentou em uma pedra e começou a se desesperar. Ao olhar para Rebeca, porém, viu que ela estava suando muito. Ao chegar perto sentiu sua pele fria. Ele tirou a jaqueta e a cobriu. Decidiu então que não perderia a calma, pois sua prioridade seria cuidar de Rebeca.
Seus amigos saíram em busca deles, mas não conseguiram encontrá-los. Ao voltarem para o acampamento, começaram a ficar preocupados. O Professor pediu a calma de todos, e que voltassem para as barracas.
Na manhã seguinte, Rebeca acordou e olhou em volta.O que tinha acontecido? Onde estava? Ela se perguntava.A última coisa que conseguia lembrar era o acampamento. Rebeca, então, viu que David estava ao seu lado, sentado com as mãos e a cabeça apoiada nos joelhos.
- David?
Ao ver que ela já tinha acordado, ele se aproximou.
- O que aconteceu? – ela perguntou confusa – David... Que lugar é esse?
- Calma! – disse ele tentando conter o nervosismo da garota – você... Caiu quando estávamos fazendo a trilha... – David olhou para baixo. Não conseguia lidar com a culpa que sentia – eu... Tentei te segurar, mas... - apertou forte os pulsos.
- Nós temos que sair daqui! – Rebeca levantou-se.
- Não adianta Rebeca!Não tem saída! – avisou ele tentando impedir que ela se levantasse, porém em vão – Rebeca espera! Você ainda está muito fraca!
Ela, em ato de desespero, gritou por socorro, o mais alto que pôde. Porém, ao sentir a realidade da situação em que se encontrava, permitiu que uma lágrima caísse de seu rosto.
- Não adianta! Eles não podem ouvir! – falou David.
De repente, Rebeca sentiu uma forte dor na cabeça, caindo de joelhos no chão. David correu para ajudá-la.
- Você está bem? – perguntou ele preocupado. Pôs as mãos no rosto de Rebeca.
- Me deixa David! – Rebeca desviou a face. E olhando fixamente para ele – A culpa é toda sua! Isso nunca teria acontecido se não fosse por você! – vociferou com ódio.
- Eu... Sinto muito! – afirmou contrito. Abaixou os olhos.
Rebeca sentiu seus olhos turvos, perdendo a nítidão. E sem forças, desmaiou.
- Rebeca! 

sábado, 12 de outubro de 2013


Capítulo 10

Rebeca não podia acreditar no que estava ouvindo.
- O quê?... Professor você só pode estar enganado! Eu? Dupla desse idiota?
- Rebeca você é a melhor aluna da classe! – justificou-se o professor.
-Ta! Mas... Não tem outra pessoa?
- Alguém menos temperamental talvez! – provocou David.
- Sinto muito Rebeca, mas ele está com as notas muito baixas e você é a única que pode ajudá-lo! – disse o professor irresoluto.
Rebeca saiu furiosa da sala e David foi atrás dela.
- Ei! Espera aí parceira!(risos) – brincou ironicamente.
- Olha aqui! – ela virou-se autoritária – é melhor você fazer isso direito porque eu não vou me prejudicar por causa de um idiota como você!
- Você que manda parceira! – respondeu ele..
- E NÃO ME CHAMA DE PARCEIRA! – gritou ela furiosa.
No dia seguinte, estava tudo pronto para a excursão. Rebeca mal podia acreditar que por causa de David não iria ser parceira de Pedro. Ao chegar perto do ônibus, percebeu que ele ainda não tinha chegado.
- Rebeca, você viu sua dupla? – perguntou o professor – ele ainda não apareceu!
“Aquele irresponsável!”. Pensou ela. O professor anunciou que só faltava um minuto pra partir. Rebeca estava muito nervosa.
- E ai parceira? – ouviu uma voz se aproximar.
Respirou fundo. Virou-se bruscamente.
- Como pôde chegar atrasado seu imbecil? – ela vociferou. 
- Calma ai! – ele defendeu-se rindo.
- Esse é o pior dia da minha vida! - ela exclamou com raiva.
No acampamento, o professor anunciava às duplas que iriam explorar a trilha:
- Nicole e Henrique, Julia e Tomás, Lucas e Viviane, Pedro e Raquel e Rebeca e David. Peguem todo o equipamento: câmera fotográfica, bloco de notas, mapas... Podem começar!
Todas as duplas se dispersaram para a trilha designada pelo professor. E depois de explorarem, todos deveriam voltar para o lugar marcado para passarem a noite.
No caminho, David e Rebeca discutiam sobre a direção que deveriam tomar.
- É por aqui! – disse Rebeca.
- Não é não! – David rebateu.
- É sim! A bussola está apontando para o norte! – argumentou ela.
- Mas o mapa diz que não!
- Ah é? E quem disse que o mapa está certo?
- Homens sempre usam mapas!
- Ah, então os homens sempre estão certos?
-... Claro! – respondeu. Num tão machista que Rebeca odiava.
Rebeca resolveu se acalmar. Sentou-se para beber água. Depois de uma hora andando, estava exausta e morta de sede. Porém, ao olhar sua garrafa, viu que estava vazia.
- Minha água! – com raiva ela se dirigiu a David – David você bebeu minha água?
- Não!... Meus pés estavam sujos!
- Você usou minha água pra lavar os pés? – gritou ela – E agora como nós vamos beber água?
- Bebe no rio!
- Eca! Aquela água está cheia de bactérias!
- Eu não me importo!
- Deve ser porque a água é tão porca quanto você! – falou Rebeca furiosa.
Depois, já se aproximava a hora das duplas voltarem, porém, Rebeca e David não se entendiam.
- Admita! Estamos Perdidos! – disse Rebeca vendo David ler o mapa enquanto caminhavam.
- Não estamos perdidos! – ele respondeu não querendo dar o braço a torcer.
- Estamos sim! Admita que esse seu mapa idiota não serve para nada!
- Não estamos perdidos!
- Ah não? Estamos andando a meia hora!
- Olha aqui, não estaríamos perdidos se não fosse aquela sua bussola inútil! – ele a encarou.
- Então admite que estamos perdidos! – ela o provocou vencedora.
- Sim, e a culpa é sua!
- O que? Eu? Você é que quis dar uma de machista!... - ela se indignou - Quer saber? Eu vou procurar o caminho sozinha! – determinou virando-se para o caminho oposto.
No entanto, viu que havia pisado em uma enorme e nojenta poça de lama.
- Esqueci de dizer que tinha um poço de lama na sua frente! – falou David rindo irônico 
Rebeca então com raiva, chutou a lama toda contra ele. E riu ao ver ele todo sujo. David então, se agachou e pegando um punhado começou a se aproximar de Rebeca.
- O que você vai fazer David? – ela afastou-se com medo.
Porém, quando David ia em direção a Rebeca para atacar a lama, não viu que estavam indo em rumo a uma enorme vala, e sem perceber, Rebeca caiu.
David rapidamente agarrou a mão dela com força. Ela olhou-o com desespero, tentando se segurar a ele.
- Segura firme! – gritou David. Vendo que a mão da garota já estava escorregando.
- Por favor... Não me solta... – ela implorou, quase como um suspiro.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013


Capítulo 9

- Ah... Oi Raquel... Eu... Vim para ver o Pedro... – explicou Rebeca tentando disfarçar o momento embaraçoso – É... Eu já to de saída!
Rebeca saiu, deixando Raquel sem entender nada.
No dia seguinte, Viviane e Raquel falavam com Rebeca sobre Pedro.
- Então, como andam as coisas entre vocês? – perguntou Viviane.
- Ele é tudo que eu sonhei Vivi, eu acho que ele vai me chamar para sair de novo! – disse Rebeca.
- Amiga você não acha que já não está na hora de dizer que é você quem escreve as cartas? – indagou-a Raquel.
- Não sei se estou preparada pra dizer o que sinto por ele...
- Mas uma hora vai ter que dizer! – disse sua amiga.
Depois, enquanto Rebeca guardava os livros, pensava no que suas amigas tinham dito. “E agora? Eu não vou conseguir dizer o que sinto pessoalmente. O que eu faço?”. Pensou.
Na aula de biologia, o professor explicava sobre a nova excursão da escola. Que serviria como trabalho bimestral.
- Turma nós iremos fazer uma excursão numa trilha de preservação. Vocês vão formar duplas, para pesquisar espécies diferentes como trabalho para o bimestre.
Toda a classe começou a falar sobre o novo trabalho. Mas Rebeca só conseguia pensar em Pedro, e em como se declararia. No fim da aula, David saía, quando o professor o chamou.
- David preciso falar com você! – anunciou o professor, vendo que David se aproximava – Você não tem assistido muito as minhas aulas!
- É... Mas eu vim hoje! – defendeu-se David.
- Mesmo assim suas notas estão baixas!... Acho que vou ter que reter você! 
- Qual é professor! Não há nada que eu possa fazer?
- Bem, se você tirar uma boa nota no trabalho, talvez eu possa considerar!
- A excursão? Qualé professor, não pode ser outra coisa?
- Você quer, ou não quer se formar? - exclamou fortemente.
Na educação física, Raquel conversava com Rebeca sobre a excursão.
- Já sabe quem é sua dupla? – perguntou Raquel, tentando recuperar o fôlego depois da corrida.
- Não, eu não consigo pensar em nada a não ser no Pedro! – respondeu Rebeca esticando as pernas.
- Amiga, essa pode ser a sua chance de contar pra ele! - a outra animou-se.
- Como assim?
- Vocês vão estar juntos, sozinhos... Aí você vai ter coragem de dizer a verdade!
- Acho que pode estar certa! – disse Rebeca animada com a nova ideia.
- É claro!... Mas, antes você precisa ser a dupla dele!
Raquel de repente mudou a expressão.
- O que foi Raquel? – perguntou Rebeca.
- David!... Ele não me ligou mais!... Eu gosto muito dele e...
- Raquel! Sai dessa!Ele não gosta de você!... Ele é um galinha, um irresponsável!... Você merece coisa melhor! – aconselhou Rebeca em tom agressivo. Não suportava a ideia de que David estava fazendo sua amiga sofrer.
Após o sinal da aula, Nicole, a garota mais popular e desejada do colégio, veio falar com David.
- Oi David! – falou ela se aproximando sugestiva.
- E ai Nicole? 
- Espero que a gente seja dupla na excursão! – ela o fixou sorrindo – ia ser... Muito divertido! – saiu com um olhar sugestivo.
Após isso, o professor de biologia estava na sala revisando alguns testes, quando David chegou.
- Oi professor... Eu queria saber, sobre...
- Professor! – disse Rebeca chegando à sala. – David? – o avistou surpresa - Você em uma sala de aula? Não devia estar paquerando alguém ou enganando alguma garota? - falou ironicamente.
- E você? Não devia estar saindo com aquele idiota? – provocou ele.
- Calma gente! – pediu o professor.
- Professor... – começou Rebeca – Eu gostaria de saber... Se já escolheu as duplas.
- Ah, ainda não!
- Ah! Que ótimo! Porque eu e o Pedro...
- Não Rebeca, eu já escolhi sua dupla! - ele a interrompeu.
- Já escolheu?Quem? – ela o encarou intrigada.
- David!

quarta-feira, 9 de outubro de 2013


Capítulo 8

Rebeca só conseguia pensar em Pedro. Ele era tudo o que ela sempre sonhara: educado, romântico... E eles quase tinham se beijado! Estava nas nuvens. Porém, também não conseguia parar de pensar em Raquel. Ela estava cada vez mais envolvida com David, e Rebeca temia que ela se apaixonasse, pois sabia que David não era um cara de uma garota só. Mas Raquel era muito teimosa, e sabia que ela não a ouviria.
No dia seguinte, Rebeca estava na classe, quando Raquel entrou toda contente com a novidade.
- Rebeca, o David e eu ficamos! – disse ela, sentando-se na cadeira ao lado dela – mal posso acreditar! Tenho certeza que ele vai me pedir em namoro!
- Como pode ter tanta certeza? – perguntou Rebeca receosa.
- Eu sei que ele sente o mesmo que eu amiga! – reparando no rosto sério de Rebeca – Que foi? Não está feliz por mim?
- É... Claro que eu estou... É que...
Foi interrompida por um grupo de garotas querendo saber se Raquel tinha mesmo ficado com o David. ”Você ficou com ele?”. Disseram todas juntas.
 Enquanto isso, Rebeca ficou séria. Tinha certeza que David não sentia o mesmo por Raquel.
No ensaio da banda, em sua casa, David não estava conseguindo se concentrar. Eles estavam tentando manter o sincronismo, mas depois da briga entre ele e Pedro, o clima tinha mudado.
- Pausa de cinco minutos! – anunciou David.
Foi até o canto. Pegou uma garrafa.
- Você esta bem? – perguntou Sheyla, se aproximando dele.
- "Tô" legal! – respondeu contrito.
- Aí David "vamo" logo! – disse Pedro para provocá-lo – Eu tenho que me encontrar com a Rebeca, a gente "marco" de ir a um lugar, sabe - sorriu malicioso.
David com raiva avançou em Pedro, que se não fosse por Sheyla ter entrado nos meio deles, teria o acertado com força.
- Gente! – gritou sheyla para acalmá-los.
Os dois se olharam com frieza.
- Quer saber David... – começou Pedro – tô fora! – e largou as paquetes no chão.
Após Pedro sair, Sheyla disse:
- E agora David? Estamos sem baterista!
- A gente vai ter que dar um jeito! Não viu que foi ele mesmo que saiu?... Mas foi melhor assim – disse David fechando os punhos - Agora o Wine assumi a bateria! – completou.
Depois disso, David estava tocando guitarra, todos já tinham saído, quando Rebeca chegou procurando por Pedro.
- O seu namoradinho já foi embora! – respondeu ele sem olhá-la.
- Sabe pra onde ele foi? – perguntou Rebeca.
- Não, e nem me importa! – David falou em um tom agressivo.
- Você é um grosso mesmo! – disse Rebeca zangada.
- É! Mas muitas garotas gostam! - exibiu um sorriso curto.
- Soube... Que você e a Raquel ficaram... Vocês... Estão namorando? – perguntou Rebeca o rodeando. Estava preocupada com Raquel. E precisava saber o que ele sentia por ela.
- Por quê? Está com ciúmes? - ele se aproximou.
- O quê? É claro que não! –  exclamou surpresa. Seu convencimento a deixava furiosa.
- E o seu encontro com o Pedro? 
- Foi ótimo!... Parece que estava errado sobre ele! – provocou ela.
- Eu não estou errado sobre ele!
Os dois se olharam.
- David?... Rebeca? –  Raquel chegou vendo os dois surpresa.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013


Capítulo 7

Rebeca ouviu seu coração acelerar. Pôde sentir a respiração de David perto da sua, com o rosto perto do seu. Num movimento brusco, ela se afastou.
- Rebeca... – disse ele como saindo de um transe.
- Eu não sei o que pensa de mim...  Mas não vai brincar comigo! Me deixa em paz David! – gritou ela. Saiu com rapidez. 
Depois disso, David estava em sua casa. Sheyla, sua melhor amiga, quis saber o porquê ele estava tão sério.
- Eu não entendo... – ele exclamou com os olhos fixos em um ponto – eu não consigo me controlar quando chego perto dela... - desviou o olhar -  e ela ainda gosta daquele mané!
- Você está... Gostando dessa garota? – perguntou Sheyla o examinando surpresa.
- O quê? Não! Eu não gosto dela...
- Sei...
- Olha aqui... Nenhuma garota vai me amarrar, ta legal? - afirmou convencido.
Sheyla o conhecia muito bem. Desde que ela tinha fugido do orfanato, não tinha família, e David era como um irmão para ela. Talvez não gostasse de Rebeca, mas de alguma forma ela mexia com ele.
À noite, Rebeca se arrumava para o encontro com Pedro. Tentando esquecer, porém, da conversa que tinha tido com David, e o que quase tinha acontecido. E pensar, que teria que vê-lo todos os dias. Ela só conseguia sentir ódio dele, nojo.
Enquanto isso, David, para afastar seus pensamentos de Rebeca, decidiu ligar para Raquel:
- Oi Raquel... É... Que tal, se a gente sair agora?
- Claro!... Deixa só eu ir me arrumar! – ela respondeu, sem disfarçar o entusiasmo.
Pedro foi até a casa de Rebeca, para buscá-la. No entanto, quem o atendeu foi seu pai.
- Ah! Oi... Sr. Paulo! – cumprimentou Pedro quase tremendo.
- Quem é você? – o senhor o olhou de cima a baixo.
- É... Eu sou o Pedro...
- Sei...
- Pai! ... – Rebeca chegou logo. Colocou as mãos sobre os ombros do pai – É... Não quer ir lá pra dentro? - quando seu pai saiu, dirigiu-se a Pedro envergonhada - é... Me desculpa!
-Tudo bem... - sorriu. Abaixou os olhos até ela - Você está linda!
Ela respondeu com um agradecimento tímido.
Indo os dois para o encontro, Rebeca se assustou ao deparar-se com Raquel e David na porta do clube.
- Ah! Que coincidência! – falou Raquel simpática.
Rebeca olhou David friamente nos olhos. Tentando disfarçar, porém, sua raiva por ele.
- Bom, nós podemos entrar e fazer um encontro duplo! – sugeriu Raquel animada.
- Me desculpa amiga, mas eu perdi a fome! – contestou Rebeca. E virando-se para Pedro – Podemos ir a outro lugar?
- Claro! – ele respondeu, olhando para David para o provocá-lo.
Quando os dois saíram, Raquel virou-se para David confusa:
- O que será que deu nela?
- Não vamos perder nosso encontro por causa dela! – resultou David sério.
Então, pegando sobre ela a beijou.
A caminho de casa, Rebeca se desculpou com Pedro. 
- Não tem problema! - disse simpático. Ele, então, pegou em sua mão. 
Ela quase bambeou. Ele aproximou-se. Mas, quando foi beijá-la, o pai de Rebeca apareceu, e mandou que ela entrasse.
- Eu tenho que ir! – Rebeca desculpou-se entrando.
“Droga”. Pensou Pedro. ”Mas não importa, o que importa é aquele idiota viu a gente junto”. Pedro sabia o quanto sua tarefa de conquistar Rebeca seria fácil, pois para ele, ela era só uma garota ingênua. E que conseguiria o que quisesse dela com facilidade.