sexta-feira, 31 de janeiro de 2014


Capítulo 88

As mãos ainda tremiam, mas tentou conter a respiração. Precisava descobrir a verdade. Tinha que manter o controle. Mesmo que parecesse impossível. Aproximou-se firme.
- Não sei o que veio fazer aqui Rebeca... – David falou em um tom sério. Olhava em outra direção procurando não encará-la.
- Eu... – dedilhou as mãos sobre os objetos aproximando-se dele – vim dizer que resolvi te esquecer pra sempre! – olhou-o mais fria possível.
David levou um choque. Uma pontada forte o tomou. Ele não teve nenhuma reação ou pensamento.
Rebeca percebeu seu desconforto. Adiantou-se mais até ele.
- A não ser... – seu olhar pareceu mais aflito - que me peça pra não fazer isso! – exclamou duramente.
Pego de surpresa pelas palavras dela, estremeceu. Seu olhar encontrou-se com o seu de imediato. Como poderia negá-la? Aqueles lábios que tanto desejava. Os olhos que brilhavam mais que nunca, pediam por uma reposta sua. Queria poder dizer que não, sua vontade era de lhe suplicar pra que ela não lhe deixasse nunca. Mas não podia ser tão egoísta.
Rebeca tentava se concentrar diante dele. Era como se estivesse jogando-se em um buraco enorme sem saber aonde chegaria, mas, contanto que levasse ao amor dele, teria valido a pena.
- Não sei o que quer que eu diga! – ele baixou o olhar frio.
Ela chegou a um palmo de distancia. Sentiu o calor forte vindo de seu corpo. Repousou a mão sobre a face dele. David sentiu seu rosto como se estivesse em chamas.
- Que não quer que eu te esqueça! – exclamou olhando-o – que me peça pra ficar! – sussurrou em seu ouvido como um grito abafado. David teve um calafrio em todo o seu corpo – Que sente o mesmo... – seus lábios chegavam quase a tocar seu rosto. Sua voz começou a ficar embaçada.
David cerrou os olhos para conter o que via ser um desejo incontrolável. Pegou firme nos braços dela, a afastando delicadamente.
- Eu não posso! – suspirou com a respiração ainda acelerada. Distanciou-se levando as mãos ao cabelo.
Rebeca percebeu que havia um motivo forte que ele escondia a existência.
- Por quê? – ela aproximou-se tocando-lhe as costas cautelosamente – me diz! 
David, então, enlaçando-a pela cintura aproximou-se de seu rosto. Sentia estar perdendo o controle.
- Por favor... – tocou a face dela com as mãos – Rebeca você tem que ir embora! – arfou ofegante.
As respirações de ambos tornaram-se pesadas. Ela tentava conter seu coração que parecia pular.
- Não vou até me dizer! – disse decidida – não importa o que seja...! – assegurou-lhe procurando seus olhos em tom de angústia – eu te amo! – exclamou tocando-lhe o pescoço.
Ele avançou até sua boca ferozmente sem pensar, como não respondendo mais a razão.
- Estou interrompendo alguma coisa? – Sheyla perguntou surpresa ao entrar e ver os dois quase se beijando.
Eles se surpreenderam com a presença dela.
-... Não! – David retomou a consciência e se afastou rápido de Rebeca – não estava acontecendo nada! – falou frio.
Seu tom chegou a congelá-la. 
Rebeca saiu rapidamente daquele lugar. Descia as escadas quando David a chamou.
- Espera Rebeca! – pegou em seu braço.
Ela virou-lhe a face com esperança em seu íntimo.
- Só quero dizer... Que pode me esquecer! – sua voz saiu mais rude do que nunca – pois já fiz isso há muito tempo! – vociferou indelicadamente.
- Eu não posso acreditar... – ela titubeou entre confusão e mágoa.
- Quando você vai perceber que você não significa nada pra mim? – fixou nela a expressão gélida. Retirou-se a deixando.
Ela sentiu suas palavras como facas em seu peito. Decidiu com raiva, nunca mais seguir um conselho de Nicole. Estava determinada a esquecê-lo de uma vez por todas.
Sheyla ainda estava parada quando ouviu os passos largos soarem do corredor. David entrou batendo a porta.
- O que aconteceu? – perguntou surpreendida pelo modo que ele entrou – vocês estavam?...
- Nada!... Não estava acontecendo nada! – fechou-se em seu quarto violentamente.
No dia seguinte, Raquel veio até Tomás na escola.
- Tomás posso falar como você? – perguntou se aproximando dele.
- Claro gata! – sorriu em tom de malicia.
- Eu... – disse com dor em seu ego – aceito sair com você! 

Capitulo 87

"O provoque!... Se ele não conseguir resistir a você, vai saber se o que ele diz é verdade!". As palavras de Nicole ressoavam na mente de Rebeca. Tentava afastá-las, mas era impossível. A vontade de saber a verdade era incontrolável. Lembrava-se do rosto de David quando quase tinham se beijado no clube. "Não posso!". Disse ele friamente. Parecia relutante. Como se fosse obrigado a se afastar. Talvez escondesse mesmo algo. "Pensa bem!... É o único jeito de descobrir se ele tem sentimentos por você!". Será que devia se arriscar?
O sinal bateu de repente, anunciando o intervalo. Raquel foi até o refeitório, quando esbarrou com Tomás lhe sorrindo.
- E ai gatinha? - disse ele se aproximando.
- Tomás, quer me deixar em paz? - respondeu furiosa, detestava sua presença.
- Não finja que não gosta de mim... - colocou a mão sobre o queixo dela.
- O que você quer? – vociferou, retirando a mão dele.
- Nada... - falou fingindo desinteresse - é só por que eu fiquei sabendo que você foi sozinha naquela festa, se tivesse ido comigo, teria se divertido muito! – sorriu convencido.
- Aposto que sim! - Raquel exclamou sarcástica.
- Soube que você tá afim do Pedro, é verdade?
Raquel levou um choque.
- De onde você tirou isso? - vociferou com raiva -... É claro que não!
- É só o que todo mundo tá comentando só isso... - tentou mudar de assunto - por que não sai comigo? A gente podia marcar de ir numa lanchonete! - apoiou seu braço no balcão a encarando.
- Nem morta! Ouviu? - Raquel vociferou retirando-se.
Tomás sorriu malicioso. Sabia que ela cederia mais cedo ou mais tarde. No fundo, para ele, Raquel representava seu ego ferido, pois nunca tinha conseguido ficar com ela, e isso não podia aceitar.
Enquanto isso, David foi chamado pela secretária do colégio.
- David... Preciso falar com você! Sabemos... - começou cautelosa - que passou por muitas coisas... Nesses últimos dias. Por razão disso, você perdeu muitas aulas, e faltam apenas semanas para a formatura! Mas a escola resolveu lhe dar uma chance de passar com boas notas!...Fazendo trabalhos extracurriculares!
- Como assim? - indagou-a confuso.
- Você poderá salvar suas notas, trabalhando como voluntário em instituições!
David aceitou, sendo sua única saída.
Raquel sentou-se transtornada a mesa do refeitório, onde estavam Rebeca, Nicole e Viviane.
- O que foi? - perguntou Nicole.
- Nada - apenas disse firme.
- Gente! - começou Viviane animada - nesse sábado eu e o Lucas completamos um ano de namoro!... Então eu queria convidar vocês pra gente comemorar na lanchonete! O que acham?
- Ah, desculpa Vih, mas eu  não vou ficar segurando vela pra vocês dois! - respondeu Nicole relutante.
- Mas e vocês? - olhou para Rebeca e Raquel que olhavam com hesitação - vamos! Vocês são minhas melhores amigas, não podem faltar!
Pedro se aproximou.
- Sobre o que estão falando? - perguntou simpático sentando-se ao lado de Rebeca.
- Viviane está convidando a gente pra ir à lanchonete no sábado! - respondeu Nicole - mas a Rebeca e a Raquel não querem ir porque estão encalhadas! - levou um beliscão de Raquel - Ai! Mas é verdade! - defendeu-se.
- Bem, se for assim não tem problema! Eu vou com você Rebeca! - Pedro sorriu pra ela.
Raquel estremeceu.
- Não... A verdade é que eu não estou muito afim de sair! - ela respondeu relutante. Estava bastante perdida em seus pensamentos.
- Por que não convida a Raquel Pedro? - Nicole disse diretamente.
Pedro olhou Raquel com um olhar frio rapidamente. Ela pôde ler em seus olhos sua rejeição. Não iria ficar por baixo.
- Não precisa! – Raquel  exclamou de sobressalto - eu tenho alguém pra ir comigo! - falou orgulhosa. Todos a encararam curiosos e surpresos -... Tomás!
- TOMÁS? - gritaram todos juntos espantados.
- Sim... Ele me convidou! - explicou sem jeito - ele é... Um cara muito divertido! - disfarçou.
Pedro tentou disfarçar seu desconforto.
- Perfeito! - disse Viviane contente - só falta você Rebeca! - pegou no braço dela - por favor... - fez bico.
- Está bem! - revirou os olhos. Sorriu enfim.
Raquel não pôde deixar de sentir uma pontada ao ver que Pedro ia com Rebeca.
À noite, David estava em seu apartamento. Tinha cancelado um show por sentir ainda bastante dor nos músculos. A porta se abriu lentamente. Passos que soavam insegurança. Respiração leve, mas apressada. Ele virou-se.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014


Olá, temos mais uma música aqui no blog, espero que gostem. Ela representa o período da história. Pra quem quiser baixar a banda é breaking benjamin!

Breath

I see nothing in your eyes
And the more I see the less I like

Is it over yet, in my head?

I know nothing of your kind
And I won't reveal your evil mind

Is it over yet? I can't win

So sacrifice yourself
And let me have what's left
I know that I can find
The fire in your eyes
I'm going all the way
Get away, please

[Chorus:]
You take the breath right out of me
You left a hole where my heart should be
You got to fight just to make it through
'Cause I will be the death of you

This will be all over soon
Pour salt into the open wound

Is it over yet? Let me in

So sacrifice yourself
And let me have what's left
I know that I can find
The fire in your eyes
I'm going all the way
Get away, please

[Chorus:]
You take the breath right out of me
You left a hole where my heart should be
You got to fight just to make it through
'Cause I will be the death of you

[Bridge]
I'm waiting, I'm praying, realize, start hating

[Chorus:]
You take the breath right out of me
You left a hole where my heart should be
You got to fight just to make it through
'Cause I will be the death of you

Fôlego

Eu não vejo nada em seus olhos
E quanto mais eu vejo, menos eu gosto.

Já acabou, na minha cabeça?

Eu não sei nada do seu tipo
E não revelarei sua mente maligna.

Já acabou? Eu não posso vencer.

Então sacrifique-se
E me deixe ficar com o que restou.
Eu sei que posso encontrar
O fogo em seus olhos.
Eu passarei por todo esse caminho
Vá embora, por favor.

[Refrão]
Você tirou o fôlego de dentro de mim.
Você deixou um buraco onde meu coração deveria estar
Você vai ter que lutar para fazê-lo,
Porque eu serei a sua morte.

Isso tudo irá acabar em breve.
Derrame sal na ferida aberta.

Já acabou? Deixe-me entrar.

Então sacrifique-se
E me deixe ficar com o que restou.
Eu sei que posso encontrar
O fogo em seus olhos.
Eu passarei por todo esse caminho,
Vá embora, por favor.

[Refrão]
Você tirou o fôlego de dentro de mim.
Você deixou um buraco onde meu coração deveria estar
Você devia lutar para ultrapassar,
Porque eu serei a sua morte.

[Bridge]
Estou esperando, estou rezando, entenda , comece a odiar!

[Refrão]
Você tirou o fôlego de dentro de mim.
Você deixou um buraco onde meu coração deveria estar
Você vai ter que lutar para fazê-lo,
Porque eu serei a sua morte.

Comentem se vocês gostaram da música e se ela combina com a história. Bjs! 
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terça-feira, 28 de janeiro de 2014


Capitulo 86

No dia seguinte, Viviane veio falar com Rebeca na escola.
- Rebeca o que aconteceu ontem?... Combinamos de irmos embora juntos, lembra? - encarou-a preocupada.
- Me desculpa amiga... - levou as mãos a testa. Parecia preocupada - eu acabei discutindo com o David e fui embora sozinha mesmo.
- Vocês discutiram? - perguntou surpresa - por que?
- Por que eu sou uma idiota Vih! - brigou consigo mesma com raiva - não sei como pude chegar a pensar que ele sentia algo por mim!
- Bem, ele parecia bastante nervoso quando te defendeu! - comentou ela com veemência.
Rebeca de repente ficou pensativa.
- ...Espero não ter te comprometido com o que eu fiz! -  Rebeca desculpou-se.
- Tudo bem! Foi muito engraçado ver a Pâmela recebendo o que merecia! - Viviane sorriu - e eu tenho uma novidade... Consegui o emprego!
- Sério? - Rebeca a abraçou contente.
De repente, ouviram um alvoroço de comentários vindo dos corredores. Rebeca tentou alcançar entre os rostos. Viu,então, David entrar no colégio. Passou perto dela em direção as salas da secretaria, porém, sem notá-la.
- O que ele está fazendo aqui? - Viviane se perguntou confusa.
Nicole e Raquel se aproximaram estranhando a inquietação delas.
- O que foi? - Raquel indagou-as.
- David voltou pro colégio! - Viviane explicou.
- Eu não disse pra vocês, mas ele não vai mais fugir! - Rebeca falou cabisbaixa.
- Então... O gato voltou! - riu-se Nicole. Levou um beliscão de Raquel - ah! Desculpa, eu esqueci que a gente odeia ele agora...
- Você não conseguiu esquecer ele, não é? - Raquel adiantou-se até Rebeca reparando em seu rosto abatido.
- Eu não consigo... Ele me deixa tão confusa! - olhava um ponto em especifico intrigada - Tem vezes que parece que sente algo por mim...Mas tem outras, que é tão frio e distante... Como se escondesse alguma coisa...
- Só tem um jeito de saber se ele sente algo por você! - Nicole disse direta.
- Como? - Rebeca tentou entender.
- Fazendo o teste! - Nicole sorriu maliciosa - ... O provoque!...Se ele não conseguir resistir a você, vai saber se o que ele diz é verdade!
David foi até a sala do diretor.
- Soube que decidiu voltar para a escola! - o diretor o encarou.
- Sim... Eu decidi que vou ficar no pais! - David sentou-se relaxadamente na cadeira.
- O que acha que é esta escola senhor David Martins? - alterou-se levemente - que pode voltar a estudar aqui a hora que bem entender?
- Bem, eu sou aluno bolsista aqui, tenho direitos de estudar! - ele falou firme.
- Perdeu esses direitos quando decidiu se transferir! - o diretor exclamou sério.
- Tudo bem - David levantou-se - eu acho que vou ter que me transferir pra outro colégio! Essa escola não está precisando de publicidade, não é? - provocou propositalmente.
- O que quer dizer com isso? - o reitor o encarou intrigado.
- É só que, depois do acidente que eu sofri, a impressa estará muito interessada em saber onde o filho de Sérgio Martins está estudando! - distanciou-se em direção a porta.
- Espere! - o reitor o chamou detendo seu movimento -...Acho que posso aceitar sua transferência!
David sorriu vencedor.
Rebeca hesitava diante de Nicole.
- Não sei se é uma boa ideia... - Rebeca vacilou.
- Pensa bem! - aproximou-se - é o único jeito de saber se ele ainda tem sentimentos por você!
As palavras de Nicole a deixaram intrigada.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014


Capitulo 85

Após os dois haverem sido expulsos do clube. O empresario veio até Pâmela.
- Sinto muito, mas não vou poder contratar a banda!
- O que? Como assim? Achei que ia me fazer esse favor! - Pâmela olhou-o confusa.
- Não há nada que eu possa fazer, não vou poder contratar alguém assim! - saiu.
- Espera! Ricardo! - ela o chamou, porém ele não lhe deu ouvidos.
Pâmela vidrou os olhos de fúria ao lembrar-se de Rebeca.
Os olhos de Rebeca encaravam David em tom de confusão. A verdade, é que tinha sentido o sangue ferver ao vê-la sendo maltratada por aquele homem. Olhou-a firmemente. Estava perfeita como sempre. Apesar dos cabelos bagunçados. Como queria poder senti-la perto do seu corpo naquele momento. Beijá-la. Esse desejo o assaltou de imediato. Respirou fundo.
- Só fiz isso... Pra retribuir o favor de ter me defendido na sala do diretor! - respondeu friamente. Notou a face dela confranger-se em decepção. Sorriu - não pensava que eu sentisse algo por você não é? - colocou a mão sobre o queixo dela.
Rebeca se perguntava como ele podia lhe dizer essas palavras. Era um cínico. Um hipócrita.
- É claro que não! - ela falou firme retirando a mão dele bruscamente - e fique sabendo... Que eu também não sinto nada por você, entendeu?
Rebeca tentou sair, mas sentiu-se ser impedida pelo braço dele. "Espera Rebeca!". Ela ouviu-o dizer perto do seu ouvido. Sua voz a fez estremecer.
Ela voltou-lhe a face trêmula. Os rostos ficaram próximos um do outro. Ele retirou os cabelos que teimavam em cair sobre a testa dela.
- Fica muito linda de coelhinha, sabia? - ele sorriu suavemente. Ajeitou o arco de orelhas de sobre a cabeça dela.
Ela levantou os olhos grandes e azuis até os dele. Sentiram a respiração ficando acelerada. Um forte calor emanava do corpo dele. Rebeca o fixava sem deter-se ou envergonhar-se. Queria-o. Mesmo lutando contra aquele sentimento, não podia negar.
David, então, afastou-a de seus braços calmamente. Apenas ele sabia o quão difícil era manter-se controlado perto daquele rosto.
- Eu não posso!... - ele fechou os olhos fortemente.
Ela saiu imediatamente magoada. Ao avista-la indo, David bateu os punhos sobre o muro com força. Sentia-se como um covarde por fazer isso com ela.
- David! - ouviu Pâmela aproximar-se - o que foi? - ela reparou em sua face transtornada.
- Nada, vamos embora! - apenas disse firme colocando a capacete da moto.
Após chegarem ao apartamento de Pâmela, ela o convidou para entrar.
- É melhor não! - hesitou inquieto.
- Mas eu podia te ajudar a relaxar um pouco! - ofereceu-se rodeando-o com os braços.
- Pâmela, você sabe o que eu sinto pela Rebeca! - fixou nela o olhar sério.
- Enquanto isso... Ela te engana com o Pedro! Você não vê que ela estava com ele esse tempo todo? Até mesmo quando namoravam?
- Não! Ela nunca faria algo assim!... Eu até disse isso para magoar ela mas eu sei que ela me ama!
- Isso é o que você pensa!
- Não quero mais falar nisso!- ele rebateu fortemente retirando os braços dela.
- Não sei como ainda pode defender essa garota depois do que ela fez! Ela destruiu a chance da gente estar fora do país agora!
- O que? - ele a interrompeu confuso - ...Fora do país?
- Sim! - ela animou-se. Pôs as mãos sobre o rosto dele - o Ricardo ia nos contratar no estúdio dele na Espanha!
- Você não tinha me dito nada sobre isso!
- Eu sei mas... - ela estranhou a reação dele - qual o problema?
- Não entende que eu não posso sair do país? - David a encarou com raiva.
Ele não podia dizer o verdadeiro motivo de ter que ficar no Brasil.
- Como assim? Era o que você mais queria! - ela o indagou confusa.
- Não importa! Eu te disse que não ia fugir!... - ele acalmou-se -...Acho melhor a gente não se ver mais Pâmela! - completou frio.
- Mas David... Eu só fiz isso pelo teu bem!... Eu te amo! - olhou-lhe aflita. Pegando-lhe a face o beijou intensamente.
Ele afastou-a de si. Montando na moto, arrancou com grande velocidade.
Pâmela enfureceu-se de imediato ao ver seus planos saindo do controle. Uma face obscura a dominou.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014


Capitulo 84

A noite, Rebeca foi até o clube do pai da Nicole, pois ela seria garçonete, como favor a sua amiga Viviane.
- Que bom que você veio amiga - Viviane a abraçou animada - vem! Precisamos colocar as fantasias!
- Fantasia? - Rebeca a encarou perplexa.
Após, Rebeca se olhava no espelho. Estava com um vestido preto curto, scarpin e meias escuras. Levava uma gravata de borboleta amarrada ao pescoço.
- Eu estou parecendo uma palhaça! - Rebeca exclamou envergonhada.
- Eu sei! Mas essa é uma festa temática então temos que usar isso! - sua amiga explicou - mas... Obrigada por estar aqui! Se eu conseguisse esse emprego seria muito importante pra mim agora...
- Eu sei! O que eu não faço por você? - Rebeca sorriu.
- Então tá! - Viviane falou animada novamente - coloca isso amiga!
Pôs um arco de orelha de coelho sobre a cabeça de Rebeca. Ela se sentia completamente estúpida, porém sua amiga era mais importante.
O gerente logo chegou pedindo pra que elas fossem servir os clientes.
- Mesa sete! - ordenou ele entregando bruscamente a bandeja para Rebeca.
Ela ia em direção a mesa quando teve uma surpresa. David e Pâmela estavam ali. Quis sair imediatamente daquele lugar, no entanto, avistou Viviane, que estava se esforçando no emprego. Decidiu avançar.
- Aqui estão os sucos que pediram! - exclamou secamente colocando os copos com força sobre a mesa deles.
David de repente olhou para cima reconhecendo aquela voz.
- Rebeca? - disse surpreso. Logo sorriu - não sabia que trabalhava aqui! - completou irônico.
Pâmela sorriu maliciosa.
- Ficou muito linda com essa fantasia... - comentou ele com leve malicia. Reparou em seu corpo.
- Vão querer mais alguma coisa? - ela perguntou fria. Interrompendo a troca de olhares.
- Claro! Eu vou querer uma salada, e você David? - Pâmela colocou a mão sobre o ombro dele.
Rebeca efervesceu-se de ciumes. David retiraria a mão, mas estava gostando da reação que provocou em Rebeca.
- Bem, o que você sugere garçonete? - ele a encarou sorrindo vencedor.
- Pra você recomendaria veneno, mas é uma pena que não temos aqui! - vociferou furiosa. O fuzilava com os olhos.
- Uma pizza então! - ele sorriu ignorando o ódio dela.
Rebeca virou-se saindo transtornada.
- Não sabia que esse jantar seria tão divertido! - riu-se David servindo-se do suco.
Viviane olhou Rebeca.
- O que foi? - a indagou preocupada. Olhou,então, para outra direção. Avistou David e Pâmela - Quer que eu leve as bandejas? - ofereceu-se.
- Quer saber? - Rebeca respondeu fixando os olhos nos dois - ...Eu mesma levo!
David e Pâmela viram Ricardo chegar. Cumprimentaram-se informalmente. Ricardo juntou-se a eles.
- Então... David. Eu soube que você tem uma banda! Pâmela me disse que tem talento! - comentou Ricardo.
Pâmela rodeou David com o braço. Sorriu.
Rebeca chegava levando a bandeja, quando lhe roeu de raiva ao ver aquela cena. Aproximou-se derrubando a comida toda sobre os dois propositalmente.
- Sua idiota! - Pâmela levantou-se furiosa.
- Ah, me desculpa! - falou Rebeca falsamente comovida - eu sinto muito! É que eu sou muito desastrada...
David a olhou fuzilante. Estava todo sujo de comida.
- Eu vou chamar o gerente! - Pâmela gritou se limpando.
- Ficou maluca Rebeca? - Viviane chegou esbaforida.
O gerente logo apareceu.
- Voce tem que despedir essa louca imediatamente! - ordenou Pâmela apontando para ela.
- O que você pensa que está fazendo garota? - o gerente em um ato de fúria pegou o braço de Rebeca - quer ser demitida?
- Me solta! - ela tentou se defender.
David sentiu subir o sangue ao ver aquilo.
- Larga ela! - ordenou ele firme.
- E quem é você afinal? - o gerente o olhou de cima a baixo.
- Não importa! Não vai tratar ela desse jeito na minha frente! - gritou ameaçando-o.
- O que você esta fazendo David? - Pâmela o encarou extasiada.
- Quer saber? - o gerente começou - quero os dois fora imediatamente desse lugar!... Seguranças!
Rebeca e David foram expulsos de imediato pela porta dos fundos.
- Mas que cara grosso! - Rebeca gritou batendo na porta que se fechara bruscamente para os dois - você não pode me tratar assim seu... - bradou com excesso de ódio.
- Não adianta! - respondeu David sério. Mudou para um tom mais despojado - também, não é a primeira vez que somos expulsos de um lugar... - riu ele lembrando-se do dia em que tinham sido tirados do cinema.
Fez-se um grande silêncio entre os dois. Rebeca voltou-se a si. Sua expressão mudou.
- ...Por que me defendeu? - ela o encarou intrigada.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014


Capitulo 83

Pâmela saiu do clube transtornada. Teria que ser obrigada a arrumar um jeito de David sair do país senão iriam contar tudo que fez.
Passaram-se alguns dias, Rebeca ia até a escola onde estagiava.
- Rebeca! - a supervisora cumprimentou-a simpática - o que faz aqui?
- Olá sr. Cinthia! - Rebeca sorriu-lhe - eu vim ver as crianças... Estou com saudades!
- Elas também... - completou a outra - venha comigo então! - levou-a até as salas.
Rebeca estava chegando na sala quando teve uma surpresa ao ver Pedro. Estava brincando com os garotos.
- Oi! - ela disse a todos.
As crianças logo a rodearam. Pedro se aproximou.
- Não sabia que ainda trabalhava aqui! - ela exclamou dirigindo-se a ele surpresa.
- É! Eu sei! Devo admitir que no começo eu vim aqui só pra ficar perto de você... - confessou tímido - mas eu acabei descobrindo que gosto daqui! Me faz sentir... Sei lá... Útil!
- Sei como se sente! - ela sorriu.
Realmente Rebeca pôde perceber que Pedro havia mudado. Será que Raquel estava certa? Deveria dar uma chance a ele?
Pâmela estava em seu apartamento quando ouviu a campainha. Abriu a porta. Era Ricardo. Um velho amigo seu da Espanha, empresário famoso.
- Não acredito! Voce está no Brasil? - ela o abraçou forte.
- Eu vim aqui para me encontrar com alguns amigos... - explicou entrando - e ai? Por que esta aqui?
- Bem, você sabe! É uma longa historia! - ela preferiu não ater-se aos detalhes - ainda está procurando talentos?
- Sim! Eu venho procurando bandas... Pra levar para Espanha é claro! - respondeu firme - mas ainda não tive sorte, só me deparei com "amadores mimadinhos".
Pâmela então percebeu a sorte a sua frente. Essa seria a chance de David sair do país e ela cumprir o acordo com a banda Kings.
- ...Eu conheço uma banda! Estaria interessado em conhecê-los? - ela perguntou habilidosa.
- Bem, se fosse hoje mesmo seria o mais adequado! Amanhã tenho que viajar de volta para Espanha!
Pâmela sorriu triunfante.
Rebeca chegava em sua casa quando seu celular tocou.
- Viviane?
- Oi Rebeca! Eu liguei por que eu preciso muito de um favor seu! - parecia esbaforida - lembra da festa da Nicole? Eles precisam de uma outra garçonete!
- O que? - Rebeca perguntou surpresa - não sei não Vivi, a Raquel não aceitou?
- É claro que não! - Viviane disse - você sabe como ela é! Ela nunca faria nada que exigisse esforço ou que sujasse as unhas... - Rebeca riu - vocês sabe que meus pais não estão passando por um bom momento e eu preciso desse emprego! Por favor amiga! - fez voz suplicante.
- Hum... Tudo bem! - Rebeca finalmente aceitou cedendo a ela.
David estava tocando quando Pâmela apareceu animada. Sentou-se no sofá.
- Quantas vezes vou ter que dizer pra bater na porta? - ele a fuzilou com o olhar. Retirou a faixa da guitarra de sobre si.
- Depois do que eu vou te dizer, vai me agradecer... - ela sorriu - o empresario que eu te falei, está no Brasil... E ele quer conhecer a banda!
- Está falando sério? - encarou-a duramente. Quebrando pela metade as expectativas de Pâmela.
- É claro! Eu disse que podia confiar em mim... Eu combinei de nos vermos hoje no clube do pai da Nicole por que ele vai embora do país amanhã!... Pensa bem! Essa é sua única chance! - tentou persuadi-lo.
-  Está bem! - falou após uma grande pausa.
- Mas é melhor nós irmos sozinhos... Sabe, pra ele ter uma visão mais íntima da banda!
A verdade era que Pâmela planejava que David fosse contratado sem Sheyla e Wine. Assim seria um obstáculo a menos em seu caminho.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014


Capitulo 82

David ouviu de repente a campainha de sua porta. Abriu rapidamente. Sua face tomou uma expressão de surpresa ao avistar Rebeca.
Ela o olhou trêmula. Reparou que ele estava sem camisa.Deixando sua pele a mostra. O cabelo molhado. Um arrepio teimou em tomar sua pele de imediato.
- Me desculpe... - ela falou abaixando os olhos.
Ele foi em direção ao fundo da sala. Colocou com um gesto brusco, a jaqueta que estava sobre o sofá.
- O que você quer aqui? - perguntou ríspido.
David ainda se atormentava com os pensamentos em Rebeca. As palavras que tinha dito para ele na festa, insinuando que estava apaixonada por Pedro. Não tinha se importado em vê-lo no hospital, mesmo sabendo que estava entre a vida e a morte.
- Eu... - ela se aproximou receosa - só vim porque... Queria saber se é verdade o que eu ouvi!...Vai mesmo ficar no Brasil? - o encarou intrigada.
David olhou para o lado sério. Teria que dizer de qualquer forma.
- Sim! - respondeu firme. Se distanciou para não encará-la.
- Eu não entendo... - franziu o cenho em tom de confusão.
Ele teria que dar uma justificativa a ela. Não podia dizer que iria testemunhar contra seu pai. Era crucial que ficasse distante dele. O melhor seria que ela o odiasse.
- Eu decidi... - virou-se para ela - que vou testemunhar a favor do meu pai!
Rebeca levou um choque ao ouvi-lo.
- ...Eu não posso acreditar!
- O que? - se aproximou dela rapidamente. Um olhar frio o tomou - está surpresa? - sorriu irônico.
- Eu nunca poderia pensar que aceitasse fazer algo assim! - exclamou séria.
- Parece que nós dois nos enganamos, não é? - adiantou-se mais até ela. Seu rosto foi tomado de um frio que ia contra o calor que ela sentiu emanar de seu corpo - eu também pensei que nunca fosse se aproximar daquele idiota outra vez!
- Assim até parece que se incomoda... - ela tremeu, mas tentou fixá-lo firme.
- Então... É verdade! - afirmou ele - está apaixonada por ele! Com certeza estava com ele esse tempo todo, não é mesmo?
Rebeca sentiu-se pressionada contra a porta. A respiração ficando pesada.
- Eu não vou responder isso!... - vociferou furiosa - Se é isso que pensa é melhor eu ir embora! Nem sei o que pensei em vir aqui!
Ela tentou sair, porém, sentiu seu braço preso pelo dele.
- Me solta! - ela gritou.
David deu-se conta de seu ato e a soltou. Cerrou os olhos ao sentir o estrondo da porta. Num gesto rápido derrubou a escrivaninha ao lado do sofá. Não sabia se deveria acreditar nas palavras que o feriram tanto.
Rebeca ainda corria daquele lugar. Deteve-se sem fôlego ao chegar a calçada. Sentiu as lagrimas enfervecendo em sua face. Respirou fundo. Não. Não iria derrubar mais nenhuma lágrima por ele. Não agora, que o odiava mais que tudo.
Pâmela entrava em um clube. Parecia procurar por alguém nesse momento. Avistou, então, Alex e seus companheiros da banda Kings.
- Queria me ver? - ela o indagou sentando-se na mesa.
- Isso ai... - Alex tomou o lugar na mesa acompanhado pelos outros - eu fiquei sabendo que o David saiu do hospital... E que não vai mais fugir!
- Como sabe disso? - Pâmela perguntou com leve surpresa.
- O Wine me disse!...Aquele idiota quando fica bêbado diz tudo! - referiu-se ao baterista de David -  você me garantiu que o David não ia tocar no show!
- Eu sei! Mas eu não podia adivinhar que ele sofreria um acidente! - ela rebateu séria, quase sarcástica.
- Não importa! - bateu os punhos na mesa - nós fizemos nossa parte no acordo! E você vai ter que cumprir a sua!... É melhor que faça que valha a pena o que a gente fez por você!
- Ou o quê? - o encarou séria.
- Vamos dizer pro seu namoradinho o que você fez! - ameaçou.
Pâmela estava sem saída.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014


Capitulo 81

- O quê? - o rosto de David se transtornou - está querendo dizer que eu tenho que mentir?
- Não, quer dizer... - tentou se retratar vendo a reação dele - seria o melhor agora! Você poderia voltar pra Espanha e ter um futuro melhor que esse!
- Eu nunca aceitaria fazer isso por dinheiro! - vociferou firmemente.
- David pensa bem! Você não vai ter nenhum futuro aqui... - colocou a mão sobre o ombro dele para convencê-lo - você ainda não pode usar o dinheiro do prêmio, e seu pai poderia contratar um empresário!
- Já chega Pâmela! - disse sério. Retirou a mão dela de sobre ele - eu não quero falar mais nisso! É melhor ir embora...
Pâmela saiu relutante. Sabia que era arriscado pedir isso a ele, mas tinha sido sua única alternativa, já que ele não ia mais fugir.
"E agora o que eu vou fazer?". Pensou consigo mesma. Sabia que devia o trato a banda kings de que David não tocaria no show.
Pedro estava em seu quarto. Sua mãe batia para que ele a atendesse, porém em vão. Não queria ver ninguém. Não entendia o porque Raquel tinha dito aquelas palavras contra ele. Mas seria verdade? Não conseguia parar de pensar em Rebeca mais não podia ignorar o fato dela amar David. Havia comprovado isto ao olhar os olhos dela no hospital. Mas não ia desistir tão fácil. Não seria um perdedor como seu pai achava. E quanto a Raquel, o melhor era não vê-la mais.
No colégio, Raquel aproximou-se de Nicole e Viviane que conversavam.
- Raquel eu queria me desculpar pelo mal entendido... - Viviane precipitou-se.
- Não precisa Vih! Eu entendo! - Raquel sorriu tímida - eu é que quero me desculpar pelo jeito que eu falei com vocês!
- Aliás... - Nicole falou curiosa - o que aconteceu entre você e o Pedro?
- Nós acabamos discutindo... - ela explicou cabisbaixa.
- Você disse a verdade a ele?
- Não, mas eu só quero esquecer isso tudo! Se ele gosta da Rebeca, talvez seja melhor que eles fiquem juntos!
Rebeca chegou as calando. Percebeu o rostos estáticos.
- O que foi? - ela perguntou sem entender.
- Nada! - Raquel disfarçou - nós só estávamos conversando sobre...
- Pedro! - sussurrou Nicole. Levou um leve beliscão de Viviane.
- ...Sobre a gente ir a uma lanchonete depois da aula! - Viviane exclamou.
Após a aula, todas foram para a lanchonete mais próxima. A conversa apesar de animada, não impedia que Rebeca se perdesse em seus pensamentos. Apenas queria ver David mais uma vez, para saber se estava bem.
- Vocês ficaram sabendo? - Nicole começou - vai ter uma grande festa no clube do meu pai este sábado! Eu queria saber se vocês não poderiam ir, pra vocês eu faço de graça!
- Mas é claro! - Raquel e Viviane disseram animadas.
- Claro! Como garçonetes! - Nicole explicou simpática.
- Sabia! - Viviane e Raquel falaram decepcionadas. Viviane, então, disse - bem, eu topo! Tô precisando de grana mesmo!
De repente Rebeca avistou Sheyla entrar no recinto. Aproximou-se dela rapidamente.
- Sheyla eu precisava mesmo falar com você!
- Rebeca?
- ...O David está melhor? - perguntou preocupada. Sheyla pôde sentir em sua fala um tom de aflição.
- Sim - respondeu para acalmá-la.
- Bom, agora acho que ele já pode fugir outra vez, não é? - falou com certa tristeza.
- Olha... - Sheyla começou em um tom mais baixo - ele não queria que eu dissesse, mas... Você ficaria sabendo de qualquer jeito!... O David não vai mais fugir!
Rebeca surpreendeu-se com a noticia.
- Por que? - ela encarou Sheyla completamente confusa.
- Eu não posso falar mais nada! Até mais... - Sheyla saiu rapidamente.
Rebeca não podia se conter diante do que tinha acabado de ouvir. Uma onda de esperança pareceu dominar dentro de si. Não sabia como explicar esse sentimento.
Suas amigas ainda conversavam entretidas quando viram ela deixar a lanchonete apressada.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014


Capitulo 80

Todos continuavam aflitos. Gisele chegou a pedir com um gesto sútil, que a empregada voltasse a olhar para ver o que acontecia lá fora, porém, seu movimento foi detido por Pedro que atravessou a sala de jantar rapidamente. Com uma força brusca, subiu as escadas para seu quarto.
Os olhares se cruzaram entre os que permaneciam a mesa.
- Eu vou falar com a Raquel, com licença! - Viviane se desculpou indo em direção a saída.
- Ótimo jantar! - Nicole sorriu indo atrás de Viviane - convidem mais vezes...
Raquel ainda continuava lá fora, estava sem chão. Não acreditava no que acabara de fazer. Mas com certeza tinha sido melhor assim, pois sentiu que por um triz, tinha confessado o que sentia por ele.
- Raquel o que foi? - Viviane chegou esbaforida.
- Voces terminaram? - Nicole se aproximou a encarando.
Raquel, de repente sentiu um excesso de raiva ao ouvir aquelas palavras.
- Não, não terminamos... Por que nunca ouve nada entre a gente! - vociferou furiosa - entenderam? - saiu rapidamente em passos largos.
No dia seguinte, no hospital, Sheyla entrou no quarto de David. Ele reparou que ela estava pálida. Trazia um jornal em sua mão.
- David, você tem que ver isso! - exclamou séria.
Ao olhar o jornal, leu espantado a manchete que dizia que seu pai tinha acusado Bruno.
- Aposto que ele fez isso quando soube que ele tinha causado seu acidente! - ela exclamou, porém, David permanecia calado. Sentou-se ao seu lado - eu não te disse isso antes, mas... Seu pai veio te ver no hospital, foi ele quem pagou o tratamento...Parecia desesperado!
- Só deve estar querendo ficar bem perante o tribunal! - afirmou firmemente - tudo que ele faz tem uma razão!
- Não sei não mano, ele parecia realmente aflito!
- Não importa! - ele se levantou como um salto -...não quero falar mais nisso!
Rebeca estava em seu quarto. Pensava em tudo que tinha acontecido nos últimos dias, seus pensamentos revolviam-se dentro de si. O jeito como ficou ao ver David no hospital, sentiu o sangue ferver, uma pontada em seu coração, como se, se ele morresse morreria uma parte dela. Mas as palavras dele continuavam a martelar em sua mente. "Eu não sinto nada por você". O que Pâmela havia dito tinha feito ela se sentir pior. "O David não te ama. E sabe que quando ele acordar, não é a você que vai chamar e sim a mim!".
Não queria aceitar mas ele não sentia nada por ela, tinha que esquece-lo de uma vez por todas. Raquel entrou interrompendo seus pensamentos.
- Oi Rebeca! - ela se aproximou sentando-se na cama - eu vim porque não deu pra gente conversar muito quando te visitei no hospital, seu pai está melhor?
- Está, graças a Deus! - Rebeca exibiu um sorriso sem alegria - mas não foi o que pior aconteceu... O David sofreu um acidente!
- O que? - Raquel elevou as mãos a boca assustada.
- Por sorte deu tudo certo... Mas... - ela abaixou a face - quando eu o vi todo machucado, parecia que iria morrer naquele momento, eu fiquei desesperada... - uma lágrima caiu sobre a cama.
- Você o ama mesmo, não é? - sua amiga falou em tom de surpresa e pena.
Raquel decidiu então, que não falaria sobre o que tinha acontecido, não queria aumentar a dor de sua amiga. Sentiu que apesar de tudo, se Pedro gostava de Rebeca, ele poderia ser a chance dela esquecer David e ser feliz.
- Mas... - Rebeca continuou - eu queria falar sobre o beijo com o Pedro naquele festa... - explicou-se tímida - aquilo não significou nada, eu juro!
- Não precisa se preocupar - sorriu forçadamente - eu não sinto nada pelo Pedro!...Por que não dá uma chance a ele?
- Não... Eu não posso Raquel... - ela baixou os olhos - você sabe que eu amo o David!
- Mas Rebeca você tem que pensar! Depois que ele se recuperar vai ir embora outra vez e te deixar pra sempre!...
Rebeca desviou o olhar, como uma forma de fugir daquele assunto. Não aguentava mais pensar sobre isso.
David foi liberado do hospital. Chegou ao sua casa, com a ajuda de Sheyla. Ainda tinha muitas dores no corpo pelas contusões. Wine o abraçou ao vê-lo voltar. 
- David eu vou comprar alguma coisa pra gente comer! - ela avisou ao ver que não continha nada na geladeira. Wine a acompanhou. 
Após alguns minutos, a porta abriu revelando a face de Pâmela. 
- Fico feliz que já esteja bem! - falou sorrindo - já soube que seu pai denunciou o Bruno?
- Sim... - respondeu sério. Olhava um ponto em especifico fixamente. 
- Agora que sofreu o acidente, o que vai fazer? - ela o indagou intrigada. 
- Decidi que não vou mais fugir! 
David optou por não contar a ela que estava disposto a testemunhar contra seu pai. Não confiava o bastante nela.
Pâmela manteve-se fria diante da noticia, já havia imaginado por conhecer David que o acidente provocaria essa decisão. Avivou o olhar até ele.
- Você já pensou... Em aceitar o acordo do seu pai? - ela disse diretamente. 

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014


Capitulo 79

- Não entendi... - Sheyla disse confusa.
- Eu não vou mais fugir! - afirmou sério. Seus olhos começaram a ficar profundos - antes de sofrer o acidente... Pensei no que deixaria para trás... Morreria fugindo, como um covarde! - apertou a fronte com raiva - tendo deixado todos pensando que sou um mal caráter... Inclusive a Rebeca. - fechou os olhos com a dor de lembrar-se dela
- E... O que vai fazer? - ela o interrogou intrigada.
- Agora que eu tenho uma nova chance... Vou usar pra fazer a coisa certa! - ele exclamou decidido.
- Mas vai correr perigo! - Sheyla exclamou aturdida.
- Não importa! Não quero mais fugir!
Sheyla parou para encará-lo. Ficou admirada com sua força e coragem. Sempre soube que ele as possuía, porém nunca tinha as visto tão fortemente.
- Não sabe como eu tô orgulhosa de você! - o abraçou forte. Olhou-o preocupada - e a Rebeca? Vai contar a verdade a ela?
- Não... - disse firme - ela não pode saber!... Principalmente agora que eu vou testemunhar contra o meu pai. Ela vai correr um risco maior ao meu lado! - completou.
Sheyla sabia que David estava sofrendo, mas não queria demonstrar. Ele sempre tinha sido assim. Preferia guardar seus sentimentos pelo bem dos outros, menos de si mesmo.
A noite, era hora do jantar na casa dos pais de Pedro.
Raquel foi recebida por Daniel e Gisele, pais dele.
- Está linda Raquel! - Gisele comentou admirada.
- Nosso filho realmente tem muito bom gosto, puxou ao pai é claro! - Daniel riu abraçando a mulher.
Pedro desceu as escadas correndo. Estava sério.
- Pedro, venha ver sua namorada que linda! - sua mãe o puxou.
Ele olhou para Raquel sem muito entusiasmo. Disfarçou, dando-lhe um beijo na face.
A campainha tocou quando eles estavam na sala.
- Olá - disseram Viviane e Nicole juntas.
- O que vocês estão fazendo aqui? - Raquel sussurrou surpresa.
- Quem são vocês? - Gisele perguntou simpática.
- Somos Nicole e Viviane, amigas da Raquel! - Nicole explicou.
- Sejam bem vindas então!
- Espero não estarmos incomodando... - Viviane expressou-se tímida. Nicole é que tinha insistido que viessem.
- De maneira nenhuma! - Gisele falou - vou pedir a empregada que coloque mais dois pratos!
Enquanto isso, o pai de David foi até a delegacia. Foi recebido pelo delegado. Sentou-se sério.
- Quero denunciar o responsável ao atentado a meu filho!... Bruno Marques!
Explicou todo o ocorrido.
- Bem, a foto que me deu do tal sujeito coincide exatamente com a descrição de Sheyla... Veremos as câmeras do dia em questão... Se ele for culpado o procuraremos e o prenderemos! - respondeu o delegado.
Antes do jantar, Viviane veio falar com Raquel em uma sala perto da escada.
- Eu vim por que eu precisava muito falar com você! - Viviane expressou-se receosa - por que não me disse que estava namorando o Pedro?
- Não posso falar disso agora Vih! - Raquel cochichou olhando para os lados.
- Raquel... Eu não queria te contar isso mas, eu vi o Pedro com a Rebeca... Ele não gosta de você Raquel... Ele só esta te enganando!
- Eu sei... - Raquel apenas disse séria. Sentiu uma grande dor a ouvir as suas palavras.
- Achei vocês! - Gisele exclamou simpática - o jantar esta servido!
Todos foram para a mesa.
Carlos se encontrava com seu capanga Bruno em um lugar abandonado.
- Então... - começou Bruno tentando entender - quer que eu desapareça?
- Sim... Pelo menos até esfriar as coisas... Depois te chamarei!
- E o que vai fazer a respeito de Sérgio? Ele vai te denunciar no testemunho no tribunal!
- Vou dar um jeito de impedi-lo! - Carlos olhou para o lado friamente - Mas teremos que esperar até tudo isso passar! Aqui está o dinheiro para desaparecer!
Bruno pegou o dinheiro e saiu olhando os lados.
Durante toda a refeição, Raquel não conseguia parar de pensar no que sua amiga havia dito. Isso a fez voltar a realidade. O que estava fazendo afinal? Se contentando apenas com a atenção de Pedro sobre ela.
Ele permanecia quieto. Ela sentiu que algo o incomodava.
- Mas não me contaram como começaram a namorar... - Gisele começou.
Raquel e Pedro levaram um choque. O silencio se instalou na sala de jantar.
- Foi durante a festa da escola não é? - Nicole interrompeu olhando Raquel que não respondia.
- Sim... - disse Pedro subitamente.
- Eles formam um casal lindo, não? - Nicole comentou simpática.
Raquel de repente levantou-se da mesa bruscamente.
- Me desculpem... - ela falou baixo. Saiu rapidamente em direção a saída.
Todos olharam estáticos uns pros outros. De imediato, voltaram-se para Pedro. Ele, então, entendendo a intenção, saiu atrás dela.
Ela alcançava a frente da casa, no grande jardim,  quando ele se aproximou.
- Raquel... O que deu em você? - a encarou sem entender.
- Eu já estou cansada de fingir! - ela o olhou com desespero nos olhos - pra você parece fácil dizer essa coisas, mas pra mim não é! - gritou aflita.
- Eu entendo, mas eu prometo dizer a verdade!
- Quando? Quando estivermos nas bodas de prata? - ela respondeu furiosa.
- Por favor se acalma! - falou compreensivo - vamos voltar pra dentro... Todo mundo esta assustado.
Gisele pediu a empregada para verificar o que estava ocorrendo. Ao olhar pela janela, a empregada informou que pareciam estar brigando.
- Deve ser só uma discussão a toa! - sorriu Nicole para que eles não suspeitassem.
- Não! Eu não vou voltar pra dentro! - Raquel vociferou.
- Quer me dizer o que esta acontecendo de uma vez por todas! - ele pediu complacente.
- Você não vê, não é? - Raquel o encarou. Sentiu raiva por amá-lo - você nunca vê nada!
- Peraí, o que esta querendo dizer com isso?
- Que você é um idiota! - olhou-o furiosa. Ele assustou-se com sua reação - Sabe que a Rebeca não te ama e mesmo assim vai atrás dela!... Sabe que ela ama o David e somente ele!... Mas quer saber?... Eu não sou como você Pedro! Eu não vou ficar esperando como uma idiota até que alguém olhe pra mim!
- É isso o que pensa de mim? - Pedro aproximou-se ofendido.
- Eu... - Raquel olhou pra baixo, uma lagrima ameaçava cair - sinto muito... Não posso mais continuar a ser sua amiga... Eu não posso...!
- Está bem! - Pedro entrou fechando a porta com força.
Raquel deixou as lagrimas cobrirem seu rosto desesperada.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014


Capitulo 78

- Não é da sua conta Pâmela! - Rebeca respondeu rispidamente.
- Venho ver o David, não é? - ela a encarou com um sorriso malicioso no rosto.
O pai de David apareceu de repente, interrompendo a troca fria de olhares entre elas.
- Senhor Sérgio, como o David está? - Pâmela se aproximou dele aparentando falsa aflição.
- Pâmela? - Sérgio não sabia que ela estava no Brasil. Achou melhor não se ater a esse assunto - bem, ele está se recuperando da cirurgia, mas já esta melhor...
- Que ótimo senhor! - Pâmela sorriu - não sabe como fiquei preocupada!
Rebeca não acreditava na falsidade dela.
- Eu precisava ficar aqui para o caso de ele acordar... - Sérgio começou sério.
- Não precisa se preocupar senhor, eu fico com o David!
Rebeca sentiu um pontada ao ouvir isso.
- Seria ótimo, assim evitaria que meu filho tivesse um contragosto ao me ver... - disse com um tom mais baixo - agradeço a você Pâmela... Agora eu tenho que ir... - retirou-se rapidamente.
Pâmela exibiu a face triunfante.
Rebeca ficou aflita. Queria ver David, chegou perto do medico que passava apressado.
- Doutor, posso ver o David?... Nem que seja por pouco tempo...
- Sinto muito senhorita, mas já me informaram que alguém irá ficar no quarto e no estado em que ele esta, só podemos permitir uma pessoa - saiu em direção as salas.
- Ouviu? - Pâmela riu se aproximando dela - você não tem nenhum direito de estar aqui! - olhava-a friamente - você pode até gostar do David... Mas ele não te ama! E sabe que quando ele acordar, não é a você que ele vai chamar... E sim a mim... A NAMORADA dele! - a rodeou - por que não vai embora Rebeca?... Assim se poupa desse papel ridículo!
Pâmela a deixou.
- Nossa! Ela é pior do que você me disse! - Viviane comentou incrédula. Reparou que Rebeca continuava estática - tudo bem?
- Tudo... Vamos embora daqui! - ela falou em um tom duro.
Pâmela entrou no quarto de David. Olhou-o por um tempo. Com certeza esse acidente retardaria tudo o que havia em sua mente.
De repente, viu a boca de David se mexer, falava coisas sem sentido. Até o nome de Rebeca sair de seus lábios.
- Rebeca... - repetiu ela com um efeito vago.
Aproximou-se dele, tocando-lhe a face com tom de falsa compaixão.
No dia seguinte, Rebeca estava em casa quando a empregada avisou que seu pai havia chegado do hospital.
Ela correu pra abraçá-lo.
- Pai... Me desculpa por não ter ficado com você no hospital... - ela desculpou-se culpada. Ajudou-o a sentar no sofá.
-Não tem problema, foi melhor assim... - ele relaxou sobre o móvel com jeito fatigado.
- Por que?
- Os médicos me mostraram o resultado dos exames... Minha situação não está boa... Me disseram que o crescimento do tumor afetou estruturas cerebrais... Terei que ser operado em breve!
- Eu sei que o senhor vai se curar pai! - Rebeca afirmou veemente.
- Filha... Eu quero que esteja preparada...
- Não pai! - ela disse firme - não vai acontecer nada!
O pai de Rebeca apenas desviou o olhar pensativo.
David acordou assustado. Viu Pâmela ao seu lado.
- Até que enfim! - ela aproximou-se da cama aparentando preocupação.
- Pâmela?
- Você se sente bem?
- Sim... - David respondeu sério. Elevou a mão até a atadura em sua fronte.
Seus olhos começaram a ficar profundos. Se lembrava do acidente como se tivesse acontecido a um minuto. Porém, não lembrava de nada que havia passado no hospital.
Sheyla chegou abrindo a porta.
- Nem acredito que está bem mano! - Abraçou-o forte. Ele reclamou de dor - desculpa! - afastou-se sorrindo.
David ficou pensativo por um tempo. Não sabia porque, mas tinha sonhado com Rebeca. Os olhos dela o encarando, as mãos apertadas as dele, chorava aflita.
- A Rebeca soube? - perguntou intrigado.
- Não! - Pâmela respondeu, interrompendo Sheyla que iria falar - bem, ela deve estar ocupada com o Pedro, não é? - sorriu.
David tentou não demonstrar a dor que sentiu ao saber que Rebeca não se importava com ele.
- É melhor assim... - apenas disse.
Sheyla olhava Pâmela friamente. Não podia acreditar que ela enganasse David desse jeito, porém,  não podia falar nada pois ela tinha um segredo seu em suas mãos.
O medico entrou.
- Doutor... - David enquietou-se - quando vou poder sair daqui?
- Acalme-se por favor - ele pediu - teremos que checar sua situação, mas provavelmente amanha poderá sair!
Após algum tempo, Pâmela havia saído, Sheyla ficou com David.
- E agora? - ela o encarou seria - o que vai fazer? Não pensa em fugir assim, não é? - afligiu-se.
- Não se preocupe... Não vou mais fugir! - afirmou firmemente.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014


Capitulo 77

Após os enfermeiros levarem David, Rebeca sentou-se cansada na sala de espera. Estava angustiada. Tinha medo de que algo acontecesse durante a cirurgia.
- Meu Deus... - falava consigo mesma. Lagrimas corriam rapidamente - por favor salve ele meu Deus!
Senhor Sérgio caminhava por um estacionamento de um prédio, o lugar parecia não ter ninguém.
Chegou perto de um carro, onde havia um homem encostado. Era Carlos, seu sócio.
- E então? O que queria Sérgio pra me fazer vir até aqui? - o encarou sério.
- Eu já sei o que fez! - vociferou furioso.
Carlos franziu a testa não entendendo a acusação. Viu o outro aproximar-se em sua direção. Sem hesitar, Sérgio lhe socou no rosto. Carlos com o impacto, bateu sobre a parede.
- Ja sei que mandou Bruno causar o acidente do meu filho!
Carlos tentou se recompor.
- Não sei quem lhe disse essa loucura, mas eu nunca faria isso com você!... Você é meu amigo... -Carlos respondeu dissimulado.
Sérgio irou-se novamente o acertando mais forte.
- Aposto que também mandou ele ameaçar o David não é? - Sérgio gritou com raiva - fique sabendo que não hesitarei em denunciar você no meu testemunho no tribunal!
- Pense bem... - Carlos se aproximou ainda com dores - se me denunciar... Também irá se comprometer!
- Não importa!... - vociferou em fúria -  E irei denunciar Bruno a policia... - aproximou-se apontando o dedo em sua direção -  nunca mais volte a tocar no meu filho!
Carlos cerrou os pulsos ao vê-lo sair. Teria que dar um jeito pra que ele se calasse.
Pedro chegou ao hospital. Aproximou-se de Rebeca.
- Seu pai já teve alta? - ele perguntou sentando-se ao lado dela.
- Não... - sua voz saiu abafada - ele tem que fazer alguns exames...
- Por que está assim? Parece que andou chorando... - ele fixou nela os olhos confusos.
Ela abraçou-o forte. Começou a chorar.
- O que foi Rebeca?
- David... - chorava aflita.
- O que? David?... - a encarou - o que aconteceu?
- Ele sofreu um acidente... - abaixou a face - esta entre a vida e a morte!
Pedro ficou estático diante da noticia. Odiava David, mas isso era algo que nunca desejaria.
Viviane chegava. Parou por um instante ao ver Pedro abraçado a Rebeca. Não entendia por que Pedro estava se aproximando tanto de Rebeca se ele estava namorando Raquel.
- Oi Rebeca - Viviane a abraçou.
Viviane, então, pediu pra conversar a sós com Pedro. Foram para um canto longe da Rebeca.
- Como você tem coragem de fazer isso Pedro?
- O que? Do que você esta falando? - Pedro perguntou confuso.
- Não se faça de cínico!... Fique longe da Rebeca! Ela já esta sofrendo demais! - saiu em direção a sala de espera.
Pedro não entendeu o porque das acusações de Viviane, mas achou que fosse sua preocupação por sua amiga. Resolveu retirar-se.
Após algumas horas, Rebeca e Viviane permaneciam esperando. O pai de David, que já havia sido noticiado sobre a cirurgia esperava aflito.
O médico apareceu.
- Doutor, como ele está? - Sérgio se aproximou desesperado.
Rebeca também se levantou.
- Ele está bem! - o médico começou - a cirurgia acorreu muito bem! E ele está agora em observação!
Rebeca sorriu aliviada, não podia acreditar que finalmente ele estaria bem.
- Posso vê-lo? - Sérgio perguntou.
- Sim, mas por pouco tempo, ele esta descansando.
O pai de David foi até a sala.
- Que bom que tudo ocorreu bem amiga! - Viviane sorriu contente.
- Graças a Deus! - Rebeca disse extasiada.
De repente, viram Pâmela chegar.
- O que esta fazendo aqui Rebeca? - ela a encarou séria.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014


Capitulo 76

- Não compreendo onde está querendo chegar senhor delegado!... Está querendo dizer que meu sócio provocou o acidente do meu filho? – o encarou sério.
- Não leve isso como uma acusação senhor Sérgio – tentou se retratar – apenas... Uma especulação... É somente meu trabalho, tenho que coletar todas as possiblidades do caso! – explicou-se –... Tenho que ir agora!
O delegado ia em direção à porta, quando deu de encontro com Sheyla que chegava desesperada.
 - Me desculpe senhor delegado! – ela disse aflita – alias, poderia me esperar? Preciso conversar com o senhor!
- Claro! Se não for demorar muito...
- Sim... – Sheyla retirou-se para a secretaria.
A enfermeira a levou até o quarto de David. Surpreendeu-se ao encontrar Rebeca ali.
- Rebeca? – ela aproximou-se lentamente da cama.
- Oi Sheyla – elas se abraçaram emocionadas.
- Ele está bem? – Sheyla perguntou olhando para o rosto de David que parecia estar dormindo profundamente.
- Não... – Rebeca permitiu que as lágrimas caíssem – ele está inconsciente e tem a possibilidade de nunca acordar!
Sheyla levou às mãos a testa diante da noticia. Olhou de repente para Rebeca que parecia estar ali a horas.
- Você o ama, não é mesmo? – a encarou séria.
- Eu sei que ele não sente o mesmo por mim... – respondeu cabisbaixa – mas não importa! Eu vou ficar ao lado dele!
Sheila quis dizer a verdade. Mas sabia que isso não mudaria nada naquele momento. Talvez aumentasse ainda mais sua dor. Preferiu se calar.
Viviane foi até a casa de Nicole.
- Nicole preciso falar com você! – disse seria – eu já sei que a Raquel esta namorando o Pedro!
- O que? – ela exclamou surpresa – quem te disse isso?
- A própria Raquel, eu a vi hoje com a mãe do Pedro!
- Eu não acredito! Finalmente ela ouviu os meus conselhos! – falou contente consigo mesma – eu disse que ele ia cair na dela!
- Por quê? Você não sabia? - Viviane a olhou confusa.
- Não... Ela só tinha me dito sobre o jantar na casa dos pais dele! – Nicole explicou.
- jantar?
No hospital, Sheyla saia do quarto de David quando o delegado veio até ela.
- Queria conversar comigo?
- Sim delegado! – ela respondeu. Sua expressão tomou um tom mais obscuro – é sobre o acidente de David Martins!
Eles não sabiam, porém, que Sérgio, pai de David, ouvia a conversa sentado na sala de espera.
- Eu vi... Um homem... – ela começou com certo tremor na voz – ele saia em direção a mim, parecia ter saído pelo fundo da casa vizinha onde o David morava. Eu o vi exatamente no dia em que David ia fugir, esse homem parecia conhecido pra mim... Mas não sei de onde...
- E como ele era? – o delegado a indagou intrigado.
- Ele... Tinha uma cicatriz no rosto... Era alto e não tinha muito cabelo... Ah! Possuía uma tatuagem de caveira no braço!
Sergio ouvindo a conversa assustou-se. Era Bruno. Capanga de seu sócio Carlos. Lembrou-se das palavras dele quando o visitou no seu apartamento. “É melhor que seu filho não faça nada!”. O rosto de Carlos parecia mais frio do que nunca aquela vez. Percebeu que o que o delegado tinha dito era verdade. Com certeza seu sócio tinha mandado Bruno causar o acidente de seu filho.
Levantou-se bruscamente em direção à saída.
Já haviam passado horas, e Rebeca ainda permanecia ao lado de David. Suas mãos trêmulas, demonstravam seu desespero. Queria vê-lo acordar, não importava se estivesse longe dela, mas se estivesse vivo ela estaria feliz.
De repente, sentiu as mãos dele se mexer entre as dela. Um sussurro cortou o silêncio que permanecia concreto.
Rebeca surpresa tocou sua face olhando-o estática.
- David... – suas lagrimas corriam por sua fronte. Aproximou-se dele sentindo sua respiração ficando acelerada.
Rebeca chamou o médico aflita. Após alguns segundos, ele chegou abrindo a porta rapidamente, entrando com a equipe de enfermeiros.
David abriu os olhos lentamente. Rebeca sorriu emocionada ainda agarrada às mãos dele.
- Tem que se retirar! – o médico informou – vamos levá-lo para a sala de cirurgia.
Rebeca distanciou-se. Uma forte dor a atacou quando sentiu suas mãos se apartarem das dele.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014


Capitulo 75

Rebeca ainda apertava fortemente a maçaneta do quarto de David. Respirou fundo. Ao entrar, estremeceu ao vê-lo. Estava como dormindo um sono profundo. O rosto machucado. Levou às mãos a boca desmanchando-se em lágrimas. Não suportava vê-lo daquele jeito.
Após alguns segundos, aproximou-se da cama. Olhou-o por algum tempo. Varias coisas lhe passavam pela cabeça naquele momento, mas apenas uma era concreta em sua mente: o amava.
Pegou a mão dele que estava repousada sobre a cama. Apertou-a contra a face sentindo o cheiro. De repente mais lágrimas rolaram sobre seu rosto. Reclinou-se sobre ele. Tocando-lhe a face que nada respondia.
- Por favor... – ela suplicava em meio ao pranto. Acariciava-o em tom de desespero – não me deixa... Não me deixa... – repousou sua face sobre o peito dele – eu te amo!... – sua voz saia como um sussurro – eu te amo, eu te amo, eu te amo...
Enquanto isso, o pai de David, Sérgio Martins, chegou ao hospital. Tinha vindo o mais rápido possível desde que o avisaram na viagem ao Rio de Janeiro. Seus passos se tornavam rápidos a cada minuto. Seu rosto sério escondia sua aflição. A enfermeira informou o numero do quarto, mas quando ia dizer que já havia alguém lá, ele tinha se retirado.
Abriu a porta bruscamente. Ficou estático com aquela cena. Não percebendo, porém, a presença de Rebeca ali abraçada a David.
- Meu filho – sua voz ecoou como um sopro.
Rebeca se assustou ao perceber sua presença. Logo ele, que era o culpado de tudo. Pois David nunca fugiria se ele não o obrigasse a isso. Como tinha coragem de aparecer ali?
- O que está fazendo aqui? – ela vociferou se aproximando dele.
- E quem é você? – Sérgio a encarou. Assustou-se com seu tom de voz – eu sou o pai de David Martins! - afirmou prepotente.
- Pai? – debateu com raiva – que tipo de pai é o senhor? Abandonou seu filho quando ele mais precisava de você... E depois o obrigou a fugir da Espanha por causa do seu crime!
- Olhe aqui... – ele disse sério, tentando acalmar-se – você não sabe o que está dizendo!
- Não importa!... – ela respondeu ríspida. Havia uma grande fúria em seus olhos - Eu não sei como teve coragem de aparecer aqui, David nunca teria sofrido esse acidente se não o brigasse a sair do país!
- Não tem o direito de estar aqui! Vou chamar os seguranças para retira-la imediatamente!
- Pode chamar! – Rebeca o encarou firmemente – mas eu não vou sair daqui!... – ela se aproximou lentamente – se amasse mesmo o seu filho... O deixaria fazer a coisa certa!
Olhou-o friamente nos olhos. Para ela não importava o que acontecesse, não ia deixar David.
Sergio então, se retirou sério. Sentia-se culpado pelas palavras de Rebeca, o fez ver o quanto tinha feito mal a seu filho. E agora que ele estava entre a vida e a morte, sabia que era por sua causa.
Na escola, Raquel foi até Pedro na saída. Estava disposta a aceitar o trato.
- Pedro... – ela chamou vendo-o virar-se – eu... Aceito ir para o jantar dos seus pais!
- Obrigada Raquel! – ele sorriu surpreso – não sabe o quanto eu agradeço.
De repente, a mãe de Pedro apareceu. Saindo do carro veio na direção deles.
- Olá filho! - sorriu simpática.
Mãe? O que esta fazendo aqui? – ele falou sem entender.
- Bem, eu pensei em convidar sua namorada pra sairmos juntas para comprar, assim podemos nos conhecer melhor!
Raquel sorriu tímida. Não sabia o que dizer. Pedro olhou para ela suplicante.
- Claro! – ela respondeu de súbito.
Viviane aproximou-se de Raquel apressada.
- Raquel preciso falar com você!
- Agora eu não posso Vivi! – Raquel disse disfarçando diante dos olhares e sorrisos da mãe de Pedro.
Viviane estranhou ver a mãe de Pedro ali.
- É verdade que vocês estão namorando? – Viviane perguntou confusa.
- Aonde você ouviu isso? – Raquel a indagou surpresa. Olhou de repente para a mãe de Pedro que tinha ouvido a pergunta -... Sim!...Estamos namorando!
- O que? – Viviane estava sem palavras – por que não me disse nada?
-... Eu tenho que ir agora tá? – Raquel disse se retirando.
Viviane não conseguia acreditar que o que Júlia tinha dito era verdade. Mas por que Raquel teria escondido?
No hospital, Sérgio continuava sentado na sala de espera quando avistou o delegado.
- Senhor delegado? – ele levantou-se confuso.
- Eu vim visitar meu amigo, Sr. Paulo! – ele explicou sério – aliás... Já soube do seu filho! – viu o rosto de Sérgio abaixar a expressão – não demorará em lotar esse hospital de jornalistas!... Não me surpreenderia se dissessem que vai ficar feliz com a imagem que esse acidente vai dar!
- O que está querendo dizer? – Sérgio o encarou com ar ingênuo.
- Bem, com as pessoas sendo tocadas pelo o que aconteceu a David, poderão aumentar suas chances perante o júri, não é mesmo?
- Olha aqui! Eu nunca ficaria feliz com qualquer coisa ruim que ocorresse ao meu filho! – vociferou furioso.
- Não diria o mesmo de seu sócio!
- Como?
- Estávamos investigando a cena do ocorrido... E descobrimos que não foi um “acidente”!