quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014


Capitulo 106

Praticamente todo o colégio estava ali. Pedro estava como prometido, na primeira fila para ver Rebeca.
Carla entrou sorridente no palco, porém, começava a sentir uma enorme coceira sobre as costas.
David apareceu ao encontro dela. Somente ele sabia o quanto sentia-se idiota com aquela roupa.
- Olá, princesa! – viu que ela não parava de se coçar – está tudo bem? – sussurrou pra ela.
- É claro que esta! – ela sussurrou irritada. Tentou voltar à personagem – então... O que achaste de meu novo vestido, meu príncipe?
- Bem, é muito bom para esconder essa sua barriga enorme!
- O que? – Carla enfureceu-se com a imprevista resposta.
Todos riram vendo a cena.
- Mas o que é isso? Não foi isso o que eu escrevi! – a professora assustou-se assistindo dos bastidores.
- É melhor acertar o texto! – Carla brigou com David em um tom baixo – Então, meu príncipe... Está feliz com o nosso casamento? – a coceira aumentava.
- Acha que eu estaria feliz sabendo que vou ter que ouvir essa sua voz pro resto da vida? – ele respondeu.
Carla ofendeu-se grandemente. As meninas que assistiam a tudo riram alto mais uma vez junto com a plateia.
“Mas o que David esta fazendo?”. Perguntava-se a professora furiosa.
- O que esta fazendo David? – Carla exclamou alterada.
Henrique, na cabine de som, sabendo que já era a hora combinada, disparou um forte flash de luz na direção do rosto de Carla. Ela foi obrigada a fechar os olhos para tentar fugir daquela luz cegante. Andou para trás cambaleante e acabou pisando no vestido, que com extrema facilidade rompeu-se, revelando-a, apenas de roupas de baixo.
Todos ficaram surpresos.
- Nossa! E eu que achei que essa peça ia ser um porre! – comentou Tomas na plateia estático.
Carla correu imediatamente envergonhada. A professora pediu que fechassem as cortinas rapidamente.
Nos bastidores, Elizabeth não pôde segurar o furor:
- O que aconteceu? – a senhora encarou os dois transtornada.
- Eu não sei o que fizeram... Mas vão pagar por isso! – Carla gritou com raiva. Tampada com os restos do vestido, não parava de coçar-se.
Rebeca e Raquel riram de canto.
- Mas e agora? Carla não pode voltar nesse estado! – a professora desesperou-se – aonde vou achar outra princesa?
- Senhora... – Julia aproximou-se – se me permite, eu posso fazer!
- É, dona Elizabeth! Ela sabe todas as falas! – Rebeca apareceu ressaltando. Piscou pra Julia sorrindo.
A professora concordou com a ideia animada. Carla, então, saiu enfurecida e com vergonha.
Julia foi arrumar-se. E em cinco minutos, as cortinas abriram-se novamente.
Depois, a professora apressava-se. Era a hora da cena final.
A luz do palco iluminou-se de imediato. David caminhou lentamente em direção ao centro do palco. Observou a figura de Rebeca saindo de penumbra até a luz. A música começou. Ele percebeu que ela estava linda como nunca, desviou o olhar para tentar conter-se.
Aproximaram-se um do outro em silencio. Algo parecia ter mudado nos olhos dos dois. Um olhar frio e sem emoção que tentava ao máximo não se chocar. David pegou em sua cintura para começar a dança.
Pedro assistia a cena extremamente desconfortado.
Logo após dançarem, David olhou-a em um tom sério. Tentou lembrar-se das palavras, mas era impossível sequer concentrar-se diante daquele olhar gélido.
- Peço... – ele falou inseguro – que... – tentava lembrar-se.
A professora aflita pedia a Deus para que ele se lembrasse. Essa cena era crucial, para não tornar a peça toda em um desastre.
- Peço que me escute e não me negues nada!... – ele disse finalmente – és... A moça... – olhou aqueles olhos azuis, que agora brilhavam mais que nunca – mais bela que já vi... – completou sério – por isso... Peço que me permita beijar-te... E então saberei se sou teu como és minha...
As palavras já se confundiam na mente deles. Era como se a parede da realidade tivesse sido rompida.
“Vamos!”. Dizia a professora a si mesma. “Agora se beijem!”.
David tocando sobre a face dela aproximou seu rosto. As meninas ficaram alerta. Toda a plateia assistia estática. Pedro já se efervescia de ciúme.
- Acho que não... – sussurrou Rebeca em um tom baixo.
Ele levantou os olhos em transe em direção aos dela. Algo neles pareceu fincá-lo, como facas.
Ela afastou-se dele bruscamente.
- Eu nunca... Ficaria com um idiota como você! – vociferou fria.
Puxou uma corda que ficava perto do palco. David a fixava confuso. Inesperadamente, um grande balde localizado a cima do palco, jogou sobre ele uma enorme quantidade de lama.
A plateia toda riu sem parar. Sem saber, porem, que aquilo não fazia parte da peça.
- Ai... Ai meu Deus!...– a professora disse sem palavras. Levou a mão ao peito sem respiração. Desmaiou com força sobre o chão.
- Fechem as cortinas! – ordenou Raquel vendo a situação.
As cortinas fecharam-se e a luz se apagou sobre o palco. Rebeca correu para fora do auditório.
As meninas já rodeavam dona Elizabeth quando ela finalmente acordou.
- A senhora esta bem? – perguntou Raquel ajoelhada.
A professora levantou-se e caminhou até o palco. David enfurecido tentava se limpar daquela lama toda sobre ele.
- Vocês estragaram a minha peça! – gritou Elizabeth furiosa para todos os alunos – e você! – adiantou-se até David – David!... Eu poderia até relevar o seu total descaso com os ensaios e as suas brincadeiras durante o espetáculo!... Mas isso! – ela teve uma breve pausa –...Pode ter certeza que não hesitarei em mandar o diretor expulsá-lo deste colégio! – saiu rapidamente. Temendo os olhares dos outros.
- O que? – David espantou-se sem resposta alguma. Apenas ódio.
Raquel viu tudo assustada. Sabia que aquilo tudo não acabaria bem.
Rebeca saia rapidamente pelos corredores. Não sabia por que, mas não pôde ficar ali.
Sabia que devia sentir-se ótima, pois tinha dado o que ele merecia, porem, lembrava-se daquela cena com desconforto.
Ainda caminhava quando sentiu seu braço ser puxado com tamanha agressividade. Virou-se sem defesa. Olhos verdes e furiosos a encaravam.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014


Capitulo 105

Finalmente o dia do espetáculo havia chegado. Rebeca estava reunida com as meninas no colégio, quando Pedro aproximou-se:
- E ai? Está animada com a estreia? – perguntou simpático.
- Digamos que sim! – ela sorriu maliciosa. As outras não puderam evitar a troca de olhares.
- Então tá! Eu vou estar na primeira fila pra assistir! – falou ele olhando-a. Saiu então.
As meninas repararam juntas o olhar dele sobre Rebeca. Raquel baixou a face cabisbaixa.
- Nossa!... Que climão! – comentou Nicole.
- Nicole! – sussurrou Viviane a repreendendo.
- Raquel... – Rebeca virou-se para sua amiga com medo da reação dela.
- Ta tudo bem Rebeca! – Raquel assegurou sorrindo.
Não. Não estava tudo bem. E Rebeca sabia muito bem disso.
- Mas... Então, já sabem o plano? – Julia olhou-as para ver se cada uma sabia sua parte.
Elas afirmaram positivamente. Rebeca, então, pensou consigo mesma. Não sabia se o que iriam fazer era certo. Olhou para o lado de repente. Avistou Carla aproximando-se de David. Chegou a dizer algo no ouvido dele, colocando a mão sobre seu ombro. Rebeca sentiu ferver-se no mesmo instante, se era guerra que os dois queriam, era o que iriam ter!
À noite, faltando apenas duas horas pro começo do espetáculo, Rebeca foi até os bastidores, onde estavam todos os atores.
Aproximou-se de David. Reparou que Carla não saia de perto dele.
- Rum! – fez um granido com a garganta que os assustou – desculpe interromper, mas... Aqui está seu script David! – mostrou-lhe o papel.
- Achei que a senhora Elizabeth já tivesse dado os scripts! – falou Carla intrigada.
- Sim, mas... A dona Elizabeth fez algumas alterações em algumas cenas do príncipe, acho melhor estudar! – disfarçou.
Julia foi até a cabine de som, onde seu namorado, Henrique, iria operar os efeitos e luzes da peça.
- E ai? Já sabe o que tem que fazer? – ela o interrogou-o.
- Claro! – ele afirmou.
Nos bastidores, Nicole veio até Raquel.
- Conseguiu? – perguntou Raquel quase sussurrando.
- Sim, eu disse que eu ia conseguir! – vangloriou-se, passando sutilmente um pequeno pote para Raquel.
Viviane entrou de leve no auditório, aproveitando que ninguém estava.
- Pronto! – deu o sinal para Lucas, seu namorado, entrar.
- Tem certeza disso? – ele a indagou inseguro.
- Claro! Trás logo! – ordenou em um tom sério.
Ele empurrou o objeto pesado, o colocando no lugar específico. Viviane ria só de pensar na hora do espetáculo.
Após, Elizabeth corria atarefada pelos corredores, reparou espantada que o teatro estava cheio. O nervosismo a atacou de repente.
- Muito bem, todos reunidos! – chamou os alunos – espero que entendam que essa noite é muito importante para mim! Não quero nenhuma interrupção ou imprevisto, entenderam? – olhou-os com dureza -... Está bem! Voltem a se arrumar! Só temos vinte minutos! – avisou, saindo apressada.
Carla provava o vestido em frente ao espelho.
- Está lindo! – viu-se com extremo convencimento. Dirigiu-se a Raquel que a arrumava – eu disse que o figurino ficaria melhor com as minhas dicas! – vangloriou-se.
- Você estava certíssima! – Raquel expressou-se com sarcasmo – eu fiz especialmente pra você! – teve um tom maléfico.
Carla ordenou rispidamente que ela lhe viesse apertar o vestido atrás. Aproveitando-se disso, Raquel, sutilmente, derramou um pouco do conteúdo do pote enquanto apertava a fantasia.
A professora alarmou que era hora de Carla entrar. A garota, então, saiu com enorme entusiasmo.
Rebeca aproximou-se de Raquel, já vestida com a fantasia de cigana.
- Deu tudo certo? – Rebeca perguntou. Disfarçou estar se maquiando. Raquel respondeu positivamente – ótimo! – completou.
-... Você tem certeza que quer fazer isso Rebeca? – sua amiga a encarou séria.
- Claro! – estranhou a reação da amiga – achei que também quisesse dar uma lição na Carla...
- Não, eu quero dizer... Com o David!
Rebeca calou-se por um momento. Elevou os olhos ao espelho. Viu refletido nele, toda a humilhação, todo o sofrimento e vergonha que sofreu por causa dele. Cerrou os olhos compenetrados. Passou o batom sobre os lábios firmemente.
- Tenho! – apenas respondeu séria.
As cortinas se abriram. 

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014


Capitulo 104

- Mas, por quê? – o senhor a encarou surpreso – achei que gostasse do seu colégio!
-... É, eu sei! Mas os alunos lá são tão chatos, alias, eu quero ficar mais perto do senhor... – disfarçou com habilidade.
- Filha, você já está no fim do semestre, não fica bem transferí-la agora! – explicou paciente.
- Por favor, pai! – olhou suplicante – eu sei que pode fazer isso!... Não vai me negar mais esse pedido, não é?
Depois, Rebeca e Julia estavam no ensaio. Já havia passado meia hora e David não havia chegado.
- Bem, acho que vamos ter que começar sem ele! – resultou a professora.
“Aquele irresponsável!”. Pensou Rebeca irritada.
Porém, era evidente que a arrogância de Carla não colaboraria.
- Julia, você não esta fazendo certo! – afirmou altiva. Após terem interrompido novamente a cena.
- Estou sim! – Julia defendeu-se – mas eu não acho que você é quem decide isso!
- Você tem que fazer o que eu mandar, entendeu? – Carla a encarou convencida.
- Desculpe, mas você não é a diretora! – Julia falou já sem paciência.
- Está me desafiando?... Pois fique sabendo que eu sou a filha do diretor! E posso te mandar pra fora deste auditório à hora que eu quiser... E aposto que tem muitos querendo ocupar o lugar de uma incompetente como você!
- Não vai falar assim com ela! – Rebeca exclamou autoritária – pode ser a filha do diretor, mas não é melhor que ninguém aqui!
- Meninas, por favor! – a diretora pediu exaltada.
Todos os alunos de repente, olharam a cena estáticos.
- Quer ser expulsa junto com ela? – Carla ameaçou Rebeca. Era o que ela queria.
- Se a Julia for eu também vou!
- Como quiser! – a outra sorriu maliciosa, mostrando a saída.
- Não precisa Rebeca! – falou Julia em um tom sério – eu mesma saio!
Todos observaram surpresos quando ela desceu do palco e foi em direção à porta. Rebeca correndo, então, a alcançou.
- Julia, espera! Eu já disse! Se você sair eu também vou!
- Não Rebeca! – Júlia virou-se. Exibiu então um rosto sério – aliás... Precisamos de alguém dentro da peça se quisermos nos vingar dela!
- O que? – Rebeca a encarou confusa e espantada.
- Eu andei pensando... Você quer se vingar do David e eu da Carla... Podemos armar um plano! – completou em tom maléfico.
Rebeca não teve nenhuma reação além de espanto ao ver aquela atitude em alguém tão ingênua como Julia.
- E então? – a outra a encarou.
Rebeca sorriu enfim, concordando.
Enquanto isso, David estava em seu apartamento. Sabia que tinha sido arriscado faltar no ensaio, pois suas notas estavam baixas, mas tinha sido o único modo que encontrou para ficar longe de Rebeca. Desde do que aconteceu aquela noite, tentava desviar-se dos olhares dela. Como era possível que tudo aquilo fosse verdade? “Eu sempre amei o Pedro!... Você só foi um erro... que eu pretendo nunca mais cometer!”. Levou as mãos a cabeça, como tentando retirar de sua mente aquelas palavras, porem, parecia impossível. Principalmente agora que seria obrigado a fazer aquela peça.
- Pensei que ia pro ensaio! – falou Sheila entrando, acompanhada por Wine, seu namorado.
- Se eu pudesse, nem participaria dessa peça idiota!
- Aposto que é por causa da Rebeca, não é? – encarou-o – David, eu realmente acho que você devia esquecer ela de uma vez!
- Eu sei! – disse olhando um ponto em específico -... Mas não importa! Depois que terminar o julgamento, o show... Eu vou embora daqui pra sempre!
- Ainda quer testemunhar contra o seu pai?
-... Sim!...Pela primeira vez na minha vida eu vou fazer a coisa certa! – cerrou o cenho compenetrado – a Rebeca pode pensar o que for de mim... Mas não quero que pense que eu sou um covarde!
Após esse dia, Viviane, Raquel e Nicole estavam na classe, quando Carla apareceu.
- O que esta fazendo aqui? – perguntou Nicole intrigada.
- Não sabia? Eu sou a nova aluna! – sorriu convencida.
- O que? – todas exclamaram juntas. Nicole, então falou – achei que estudasse em um colégio bem melhor que esse!
- É eu sei! Mesmo tendo que conviver com certas pessoas... – examinou-as de cima a baixo – eu não me importo!
Bateu o sinal  marcando o fim da aula, e todos se retiraram da sala. Restando apenas as três.
- Aposto que ela fez isso só pra ficar perto do David – comentou Nicole irritada – que garota oferecida.
- Eu soube que ela expulsou a Júlia da peça ontem! – informou Viviane.
- O que? Como ela pôde? – esbravejou Raquel incrédula – quer saber? Alguém deveria colocar essa garota no lugar dela!
- Eu tenho um plano! – afirmou Júlia entrando na sala. Parecia ter observado-as há algum tempo.
 Todas se olharam surpresas com a convicção dela. Depois de ouvirem o plano, toparam animadas.
E seria no dia do espetáculo. 

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014


Capitulo 103

Após, começava o ensaio. Mas estava cada vez mais difícil o entendimento entre todos.
- Muito bem... – anunciou a professora – vamos ensaiar a ultima cena!... Quando o príncipe finalmente encontra a cigana e declara seu amor a ela... Rebeca e David, preciso que venham ao centro do palco!
Os dois se olharam imediatamente. Um olhar frio chocou-se entre eles. Tiveram um gesto hesitante.
- Vamos! O que estão esperando? – incitou a senhora autoritária.
Os dois caminharam lentamente até o centro. Sem se encararem.
- Agora, vocês irão dançar! E quando David falar o texto, irão se beijar, ok?
- O que? – os dois falaram juntos encarando a professora.
- O que achavam? Estão interpretando um casal! – Elizabeth sustentou-se firme.
- Desculpe senhora! – Rebeca começou – mas acho que não será necessário!
- Que foi? Tem medo que o seu namoradinho Pedro fique com ciúme? – ele a provocou.
- Não, eu só não quero vomitar no palco mesmo! – rebateu ela com raiva.
- Sem discussões! – ordenou a professora – e vamos logo com isso! David! Pegue-a pela cintura!
Rebeca mesmo a contragosto consentiu em colaborar. Não demorou muito, e ela sentiu suas mãos cobrindo grande parte de seu corpo. Sentiu ele aproximar-se juntando-a para mais perto.
Porém, a cada passo que tentavam tomar, era evidente a falta de entrosamento e vontade entre eles.
- Quer parar de pisar no meu pé? – ela irritou-se.
- Perdão princesa, talvez eu pudesse acertar se parasse de ir pro outro lado!
- A culpa não é minha se você é um idiota desajeitado!
- Rebeca e David! Já chega! – exaltou-se Elizabeth – Rebeca! Deve deixar David conduzir!
Ele, então, exibiu um sorriso largo e cínico revelando uma face vencedora.
Logo, Rebeca vencida pela situação, deixou-se ser conduzida por seus passos largos. Os olhos dele procuravam não encontrar-se com os seus, pareciam extremamente desconfortados.
Os movimentos tornaram-se leves, e à medida que aumentaram, diminuía a distancia dos corpos. Rebeca pôde sentir a pele aquecer-se com a respiração de David sobre seu pescoço. Estremeceu ao ter as pernas dele levemente encostando nas suas enquanto rodavam. Parecia que nada existia ali além deles. Por um momento, quis imaginar que todas as suas palavras de ódio, todas as acusações, não passavam de um pesadelo.
A professora espantou-se com a cena, os dois interpretavam muito bem um casal apaixonado, pensou.
Enquanto que Carla, incomodava-se cada vez mais com aquela proximidade e chegava a pensar que talvez ainda existisse sentimento entre eles.
A música de repente esgotou-se. Os dois olharam assustados como despertando de um sonho. David soltou-se rapidamente.
- Acho que já chega desta cena! – falou Carla ainda segurando o botão do aparelho de som – quer saber? Achei bastante cafona, devemos trocar esse final por algo mais moderno.
- O que? Mas não pode mudar o que eu escrevi! – a professora contestou firme.
- Meu pai me deu autorização para fazer qualquer coisa que achasse necessário para melhorar o espetáculo!
- Eu sou a diretora aqui! Senão for do meu jeito não vou à frente dessa peça, já disse! Não vai mudar o meu texto! – exclamou a diretora.
“Veremos!”. Pensou Carla decidida.
Rebeca observou David descendo rapidamente do palco, era claro o desconforto e desprezo que ele sentia por ela.
- Por hoje é só! – avisou a senhora – nos vemos amanhã pessoal!
Rebeca permanecia ali, estática. Como era possível? Que com apenas um toque ele fosse capaz de fazê-la se sentir daquele modo?
- Olha, tenho que dizer que você interpreta muito bem! – Carla aproximou-se em um tom cínico – eu podia jurar que ainda sente algo por ele!... – avistou a face de Rebeca silenciosa – enquanto que o David, por outro lado, nem olhou pra você! – ela sorriu – sabe, ele estava falando comigo sobre você, disse que foi apenas uma diversão e que não significa nada pra ele!
Rebeca não deu resposta alguma. Pegando suas coisas saiu rapidamente do auditório.
Carla sorriu, então.
No dia seguinte, o diretor estava examinando alguns papeis, quando sua filha Carla apareceu.
- Filha, eu já não te falei para bater na porta antes?
- Pai, eu vim por que eu preciso de um favor seu... Eu preciso que me de autorização para mudar a peça!
- Mas, por que quer muda-la? – ele perguntou intrigado.
- Ela é muito brega e antiga... Eu estava pensando em algo mais moderno e original! – fez uma pequena massagem nos ombros do pai, sugestiva.
- Sinto muito princesa, a senhora Elizabeth só aceitou ser a diretora se respeitassem seu texto, perdoe-me, mas, não há nada que eu possa fazer, alias, ela é uma professora bastante competente!
Carla cruzou os braços em tom de impotência.
- Pelo menos poderia me conceder um pedido? – olhou-o suplicante. Ele balançou a cabeça concordando – eu quero que deixe eu me transferir pra esta escola!

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014


Capitulo 102

Observaram a presença loira e atraente adiantando-se até eles cada vez mais.
- E aí... Rebeca, não é? – cumprimentou Carla de um jeito desinteressado – eu... Só vim aqui para me desculpar do mal entendido de ontem!
Rebeca surpreendeu-se com a nova aparência simpática da garota.
- Tudo bem... – Rebeca respondeu sem saber o que dizer.
- Bem – apressou-se, como sem ligar para a resposta – eu falei com o meu pai hoje, e disse que tinha ótimas ideias pra peça! Então, eu vim anunciar que eu sou a nova co-produtora! – exibiu um sorriso largo.
- O quê? – Rebeca e Raquel exclamaram juntas. Rebeca adiantou-se – mas e a senhora Elizabeth? Ela é quem escreveu a peça!
- Ela vai continuar como diretora, mas todas as ações dela precisam da minha autorização! – avisou convencida – alias, Raquel, eu preciso que crie novos figurinos! Achei os outros bastante amadores! Vejo vocês no auditório, ok?
- Quem essa garota pensa que é? – Nicole resmungou alto.
- O quê? – Carla perguntou virando-se.
- Nada!... Eu apenas estava comentando! – falou soando falsa inocência - Eu soube que você saiu com o David ontem!... Quer dizer que além de roubar papeis, também rouba os namorados das outras? – a encarou maliciosa.
- Como é que é? – a outra esbravejou furiosa.
- Se você não sabe “querida”, o David é o namorado da Rebeca!
- Nicole! – Rebeca repreendeu Nicole surpresa.
Carla furiosa e surpresa saiu da presença de todos rapidamente.
- Ops! – Nicole exibiu um riso cínico, após todos verem a garota sair aturdida.
Depois das aulas, Raquel estava saindo. Tomas, então, foi ao encontro dela.
- Eu tava pensando Raquel... Vai fazer alguma coisa depois da aula? – perguntou simpático.
- Graças aquela exibida da Carla, tenho um monte de modelos novos pra criar! Vou ficar em casa a tarde toda! – brigou consigo mesma.
- Bem, pelo menos, se quiser eu posso te levar pra casa!
- Realmente não precisa, obrigada Tomas!
No entanto, Raquel avistou Pedro passar por eles.
- Pensando bem... Eu quero que me leve!...Vamos!
Saiu com ele diante dos olhos de Pedro. Que por sua vez, continuava parado até que viu Nicole aproximar-se.
- Nicole, sabe por acaso se a Raquel está ficando com o Tomas? – perguntou intrigado.
- Ah... – não soube o que dizer, pois Raquel não queria que ele soubesse – eu não sei... – parou por um instante – por quê?
- Nada! – alterou a face relaxando-se mais – é só que... Ela anda estranha desde do que aconteceu no jantar – explicou-se meio encabulado.
Ela examinou-o por um momento.
- Você não vê mesmo, não é? – encarou-o séria.
- O que? Você sabe de alguma coisa? – apressou-se preocupado.
- Ela está apaixonada por... – deteve-se em declarar-lhe a verdade – alguém...
- Quem?... O Tomas?
“Droga! Eu e minha boca enorme!”. Pensou ela com raiva de si mesma.
- Eu tenho que ir, desculpa Pedro! – saiu rapidamente.
Ele chamou-a, porém sem obter sucesso.
Rebeca ia em direção ao auditório para o ensaio. Parou, por um segundo, ao ver David encostado a parede. Logo, Carla vindo em direção a ele e batendo em seu rosto com força.
- David, por que não me disse que tinha uma namorada? – a garota vociferou furiosa.
- Como? – ele apenas disse confuso. Levou às mãos a face.
Rebeca não se aguentou ao ver a cena, riu da expressão dele. Foi então em direção aos dois.
- Não se preocupe Carla! Não há nada entre a gente! – exclamou séria – pode ficar com ele se quiser! – sorriu em tom de desprezo.
- O meu Deus! David me desculpa! – a garota desculpou-se tímida.
- Mas eu não recomendaria... – Rebeca continuou rodeando-o – dizem que ele é um galinha e que sai com uma atrás da outra!
- Normalmente quem diz isso são as que mais querem! – ele provocou-a insinuante.
Os olhares dos dois se cruzaram de imediato. Pareceram se chocar.
- Não se preocupe querida! Eu sei segurar um cara, quando quero! – afirmou Carla em um tom convencido.
Rebeca segurou-se para não explodir.
- Bem, vamos começar? – Elizabeth ordenou ao encontro deles, parecia atarefada.
- Senhora! – Carla andou até ela animada – eu tenho ótimas ideias para melhorar o espetáculo.
A garota mostrava a professora seus pensamentos, que por sua vez os ouviu com pouco agrado. David, então, percebeu quando Rebeca aproximou-se.
- Então... Vocês saíram ontem! Parabéns! Mais uma na sua lista! – comentou como desinteressada – vai enganar ela também?
- Não... – ele sorriu de repente – entre mim e ela não tem nada! - encarou-a - eu sou do tipo que prefere falar a verdade e que nunca faria algo tão baixo como trair alguém pelas costas! – rebateu de um jeito frio, retirou-se firmemente.
Ela encostou-se a parede incendiada de ódio, ele iria pagar por cada palavra e acusação.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014


Capitulo 101

- O que? – David disse surpreso.
- Ah sim! – a face de Elizabeth se iluminou de imediato – David seria perfeito para o papel!
- Não... Eu não vou participar da peça! – afirmou relutante – e muito menos sendo um príncipe afeminado!
- Se me permite senhora, acho uma ótima ideia! – Rebeca disse em tom irônico.
Ele disparou um olhar fuzilante, enquanto ela sorria consigo mesma.
- Eu também acho! – Carla falou sem tirar os olhos de David.
Rebeca procurou não incomodar-se com aqueles olhos impregnados nele.
- Então está decidido! David será o príncipe! – exclamou a professora. Como que renovada novamente. Dirigiu-se a David de repente – e não adianta relutar senhor Martins! Terá que participar da peça... Se quiser uma nota no bimestre! – ameaçou ela.
Ele relutou consigo mesmo, sentindo a raiva invadi-lo.
- Tenho certeza senhora Elizabeth, David não vai decepciona-la! – Rebeca disse com dose de sarcasmo.
- Você me paga! – ele sussurrou fuzilante. Tão baixo que só ela pôde ouvir, deliciada pela situação.
- Fico realmente feliz Rebeca, que tenha tanto gosto em David – comentou a senhora. Viu a face de Rebeca exibir um sorriso falso – eu sempre realço que é importante os atores terem intimidade com quem vão contracenar!
Rebeca tirou o sorriso do rosto ao ouvir isso.
- Como assim?...Contracenar? – ela falou quase gaguejando.
- Ah! Eu não havia anunciado ainda, mas... Você conseguiu o papel da cigana pela qual o príncipe se apaixona! – explicou Elizabeth.
- O que? – ela apenas respondeu surpresa.
David riu da face de Rebeca.
- É!...Parece que vamos ser parceiros, não é?... – disse ele a provocando – claro que preferia alguém mais atraente pras cenas de beijo... Mas você até que serve! – riu-se irônico.
- Nem morta! Ouviu? – ela vociferou furiosa encarando-o.
- Nem acredito que conseguiu o papel! – Júlia aproximou-se dela animada – parabéns amiga!
- Bom, estão dispensados! Quero vocês aqui amanha para os ensaios! Precisamos de um espetáculo pronto até sexta! – a professora os dispensou simpática.
Rebeca não podia controlar o ódio que sentia naquele momento.
Depois, David atravessava os corredores quando Carla o alcançou.
- David, eu queria mesmo falar com você!... – sorriu-lhe aproximando-se – eu pensei, já que vamos contracenar juntos, que tal a gente ir a uma lanchonete? A gente precisa se conhecer melhor, não acha?
David ficou pensativo por um tempo. Pensou em recusar, porém, avistou Rebeca caminhando em direção a eles.
- Claro! – ele respondeu sorrindo falsamente- seria ótimo!
Olhou Rebeca em um tom triunfante, percebendo o desconforto da garota ao ouvir a conversa.
- Ah! – ele deteve-se antes de sair. Dirigiu-se a Rebeca – eu só quero agradecer! – piscou pra ela e saiu com Carla quase agarrada a ele.
Rebeca sentiu o sangue efervescer-se em fúria.
“Não vai agradecer por muito tempo!”. Pensou ela decidida.
No dia seguinte, as meninas estavam no refeitório. Avistaram,então, Carla conversando com alguns alunos.
- Quem é esta? - perguntou Nicole a examinando da cabeça aos pés.
- O nome dela é Carla! É a filha do diretor, ela deve estar aqui pelos ensaios! - explicou Viviane - eu soube que ela ficou com o papel da Júlia na peça!
- Eu... vi ela e o David na lanchonete ontem! - comentou Raquel receosa com a reação de Rebeca.
- O que? - falou Nicole incrédula.
- É!...Aparentemente eles resolveram sair pra se "conhecerem" melhor! - expressou Rebeca secamente.
Tomás chegou de repente. Pôs-se ao lado de Raquel. 
- E ai meninas? - as cumprimentou, porém, percebeu os olhares frios - o que foi?
- Nós estávamos falando da filha do diretor! - confessou Nicole.
- Nossa! Mais que gata! - ele falou encantado com a aparência da garota.
- Cala boca Tomás! - esbravejou Raquel.
De repente, perceberam a presença dela vindo em direção a eles.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014


Capitulo 100

Todos no colégio estavam animados com a peça que estrearia sexta. Mas, não tanto quanto Julia, que não cessava de falar disso.
- Mal posso esperar pelo teste de hoje! – disse extasiada.
- E já sabe qual papel vai querer? – perguntou Raquel.
- A princesa, é claro! - respondeu cheia de esperança. Olhou de repente para Rebeca, que permanecia encostada nos armários perdida em pensamentos – e você Rebeca?
 - Ah! Eu... – respondeu desviando o olhar de onde observava – tanto faz... Eu só quero estar na peça! – disfarçou.
Pedro aproximou-se delas interrompendo:
- Oi... – cumprimentou todas simpático. Encarou, então, constrangido, o rosto de Raquel que se apresentava nada convidativo – É... Rebeca posso falar com você?
-... Claro! – ela respondeu meio hesitante. Avistou o olhar de Raquel baixando.
Após os dois se retirarem, Raquel não conseguiu evitar a apatia.
- O que foi Raquel? – indagou-a Julia.
- Não é nada... – disfarçou sorrindo.
- ...Posso te perguntar uma coisa? – Julia começou cautelosa.
- Fala – exclamou insegura.
- Você esta afim do Pedro? – perguntou a encarando. Observou a face da outra enrubescer – quer dizer... É que eu vi você saindo daquele jeito quando descobriu que ele e a Rebeca estavam juntos...
- Me desculpa Julia... – a interrompeu – eu tenho que ir! – saiu rapidamente, deixando Julia intrigada.
Enquanto isso, Rebeca e Pedro conversavam:
- Escuta Rebeca, você sabe por que a Raquel esta assim? – apressou-se se retratando – quer dizer... Ela anda meio estranha, eu tentei falar com ela, mas ela não quer dizer!
- Eu... – ela hesitou em dizer o que lhe veio a mente. Raquel havia pedido que guardasse em segredo o que ela sentia – acho que ela só esta meio estressada com os eventos do colégio e tudo mais... – completou disfarçadamente.
- Eu soube que você vai participar da peça! – ele comentou simpático – não sabia que curtia teatro!
- Bem, sempre tem uma primeira vez pra tudo! – falou, no fundo maleficamente – mas e você?
- Não... Eu vou ficar como voluntário nos bastidores mesmo! – explicou – não sou muito de palcos... Mas quando você estiver lá vou ser o primeiro da fila!
Ela sorriu tímida com o comentário dele. Avistou, então, David atravessando o corredor e vindo em direção a eles. Ela pegou rapidamente o braço de Pedro e pôs-se mais próxima a ele. Observou quando David passou rápido, pôde sentir seu desconforto ao vê-los.
Ela riu consigo mesma triunfante. Tirou o braço quando viu ele afastar-se. Ficou desconcertada ao perceber Pedro a olhando.
Bateu o sinal para a aula.
- É... Vamos pra aula! – ela falou quase sem jeito. Adiantou-se a frente dele.
Após as aulas, todos deveriam dirigir-se ao auditório para os testes da peça.
A professora de artes, Elizabeth, examinava a cada uma das performances. Rebeca estava ensaiando o texto quando David entrou. Ela o examinou altiva, embora, estivesse tremendo por dentro.
- Ah sim! David! – a professora começou – quero que arrume todas as cadeiras e os bastidores!
Rebeca ria por dentro pela raiva que via nos olhos dele.
Depois de todos os testes e avaliações, todos já se arrumavam para sair, pois o resultado só seria divulgado no dia seguinte.
- Como acha que foi Rebeca? – Julia perguntou animada.
- Acho que bem! Não me importo com o papel! – brincou com sua incompetência. Sabia que não tinha ido bem. Se pegasse o papel de uma arvore já seria muito, pensava.
- A gente se vê então! – a outra se despediu simpática.
No dia seguinte, as meninas se dirigiram ao auditório para saber os resultados dos papeis.
- Antes de divulgar os alunos que conseguiram os papeis... – começou Elizabeth – quero apresentar a vocês... Carla! – mostrou a moça que permanecia ao seu lado – ela é filha do diretor, ela não estuda nessa escola, mas irá participar da peça.
Todos avistaram a garota. Parecia bastante elegante. Possuía cabelos loiros e lisos. E era muito bonita.
- Bem, vamos continuar... – falou Elizabeth olhando em sua ficha.
Quase todos os papeis haviam sido anunciados, chegava à vez de Julia, ela esperava ansiosa pela resposta de que ganharia o papel que queria.
-... E Julia... Será a criada da princesa!
- O que? – Julia surpreendeu-se – mas professora, eu pensei ter me candidatado ao papel de princesa!
- Desculpe-me Julia, mas não há nenhum engano... Carla é quem fará esse papel!
- Desculpe senhora – começou Rebeca incrédula – mas isso não é justo! Julia fez o teste enquanto que a Carla não, Júlia é quem merece o papel!
-  Quem sabe ela não fica com o papel da arvore três? – falou finalmente Carla. Exibindo uma face arrogante.
David que estava atrás limpando as cadeiras riu da face transtornada de Rebeca.
- Rebeca, são ordens do diretor! – explicou a professora relutante.
- Mas isso não é justo! – gritou Rebeca não acreditando na injustiça que Júlia estava sofrendo.
- Se me permite senhora Elizabeth... – começou David se aproximando – acho uma ótima ideia! – falou pra provocar Rebeca.
- Sorte que ninguém pediu a sua opinião! – Rebeca vociferou furiosa. Viu ele cruzar os braços a examinando enquanto ria ironicamente.
- Esquece Rebeca... – respondeu Julia dirigindo-se a ela cabisbaixa – o que importa é participar da peça!
Carla reparou em David. Como era atraente, pensou. Rebeca vendo os olhares dela sentiu o sangue ferver.
- Sem mais discussões! – ordenou a senhora – além do mais, estou cheia de problemas! Henrique que ia fazer o príncipe está doente...
Rebeca, então, teve uma ideia.
- Senhora... –aproximou-se habilidosa – acho que sei exatamente quem é o príncipe perfeito!... David!

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014


Capitulo 99

“David você ficou maluco?”. A face espantada de Sheyla o encarava naquele momento. Ela estava no apartamento quando ele havia batido transtornado. Contou tudo que tinha acontecido entre ele e Rebeca, e a verdade que tinha descoberto.
- Não... – Sheyla cerrou os olhos em confusão – eu não posso acreditar que a Rebeca tenha feito algo assim! Ela nunca te traíria!
- Mas é a verdade! – ele andava inquietante pelo apartamento.
- Isso só pode ser um engano David! Ela te ama! Eu sei disso! – ela afirmou veemente, incrédula pelos pensamentos dele.
- A mãe do Pedro foi quem disse que eles estavam juntos há muito tempo! Acha que ela pode ter se enganado? – enfatizou ele com dureza.
Realmente, pensou Sheyla, as provas de David pareciam ser incontestáveis. Mas não podia acreditar. David não havia visto o que ela viu. Rebeca desesperada. Abraçada as mãos dele no hospital, sem sequer sair por um segundo de seu lado.
No entanto, não podia contar a ele isso, pois sabia que Pamela ainda o procurava e se acaso ela soubesse, poderia revelar o segredo que Sheyla mantinha.
David, então, pegando a jaqueta que estava sobre a poltrona, saiu rapidamente sem dizer pra onde ia.
Em sua moto, já na estrada, chegou à velha montanha. Aonde sempre ia quando queria se isolar do mundo. A chuva já havia parado há algum tempo. Como as estrelas pareciam maiores ali de cima. Lembrou-se então, do dia que Rebeca estivera ali. Depois que ela o aceitara. O que sentiam parecia durar pra sempre. Como era difícil pensar que tudo era uma mentira. Que quando estava com ele, na verdade estava pensando em Pedro.
Cerrou os pulsos fortemente. Que fosse assim. Era melhor. Pois sabendo que Rebeca nunca o havia amado, seria mais fácil para ficar distante dela.
No dia seguinte, Rebeca chegava ao colégio, quando Pedro a alcançou.
- Rebeca eu te liguei ontem, mas você não me retornou... – aproximou esbaforido. Estava preocupado.
- Esta tudo bem, não aconteceu nada! – ela sorriu, brincando com a preocupação dele.
- O que aquele idiota fez pra você? – franziu o cenho visivelmente irritado.
Rebeca desviou o olhar incomodada.
- Podemos não falar nele? – pediu em um tom sério.
Enquanto isso, Nicole veio até Tomas no refeitório.
- Eu vi o seu truque ontem... – ela insinuou maliciosa – parabéns! Dá pra ver que tem mais que vento nessa sua cabeça!
- Fala baixo Nicole! – pegou-a pelo braço e calmamente levou-a pra um lugar mais longe – se a Raquel fica sabendo ela me mata! - exibiu o rosto convencido – eu tive que bancar o preocupado com ela, e manter a distancia pra ela pensar que eu sou educado!
- Bem, quero ver se você cumpri com o que prometeu! Ou vai ter que dançar só de cueca na festa de formatura! – ela riu irônica. Ela saia quando se deteve de repente – e é melhor tomar cuidado com o Pedro!
- Como assim? Ele tá afim da Rebeca e você sabe! – exclamou sem compreender o comentário dela.
- É! Mas não se esqueça que a Raquel é louca por ele! – saiu por fim. Rindo consigo mesma. Deixando Tomás intrigado.
Talvez Pedro fosse um obstáculo. Pensou ele.
Na aula, a professora de artes explicava sobre a nova peça que seria feita na escola:
- Iremos fazer esse ano, a pedido do diretor, uma peça para comemorarmos o nascimento do teatro. A peça é de minha autoria, então, espero a colaboração de todos os alunos! – falava com enorme orgulho de si própria – a peça conta a historia de um príncipe que esta prestes a se casar com uma princesa de sua classe social, quando se apaixona por uma cigana... É a respeito da luta de classes do período medieval...
Todas as meninas ficaram animadíssimas com a historia. Ouviram então alguém bater a porta da classe fortemente. Quando a professora abriu, David apareceu. Estava muito atrasado. Sentou-se rápido na carteira, sem sequer olhar para Rebeca.
Ela sentiu um enorme ódio dentro dela ao vê-lo.
- Então... – continuou a professora após ter sido interrompida – espero todos vocês depois no auditório para os testes de papeis! A estreia será essa sexta, então não temos muito tempo! – avisou ela afobada.
O sinal bateu aturdido. Julia animada, logo se virou para Rebeca e Raquel que estavam perto.
- Então, vocês vão participar? – perguntou as encarando.
- Bem, eu vou ficar nos bastidores cuidando dos figurinos! – falou Raquel orgulhosa.
- E você Rebeca? – olhou-a firme, a espera de resposta. Percebeu, porém, que a outra continuava a olhar algo fixamente  – ...Rebeca?
Rebeca, então, avistou os olhos de Julia sobre ela. Assustou-se como saindo de um transe.
- O que Julia? – tentou retratar-se sem jeito.
- Eu perguntei se você vai participar da peça! – repetiu a outra.
Rebeca observou David saindo da sala quando a professora o barrou.
- David, o diretor me informou que vai ser voluntario como ajudante no teatro! – perguntou a professora.
- O que? – ele surpreendeu-se.
- Você sabe que vai ter que fazer trabalhos extracurriculares, não é? – interrogou-o olhando-o fixamente. David ficou sem palavras – te vejo no auditório então! Ok?
A professora saiu apressada.
Rebeca sorriu pensativa após ver essa cena. Essa era a oportunidade perfeita! Desviou o olhar para Julia que ainda esperava sua resposta.
- Quer saber?...Acho que vou! – afirmou exibindo um sorrido malicioso.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014


Capitulo 98

Raquel ainda procurava o que dizer diante dos olhares reprovativos de seus pais.
- Me desculpem... – falou Tomás se aproximando. Raquel assustou-se – a Raquel só queria fazer uma pequena reunião de estudos, mas... Eu acabei convidando o colégio inteiro – desculpou-se falsamente – a culpa não foi dela!
Raquel ainda olhava-o estática sem entender.
- E você quem é? – o pai dela o interrogou sério.
- Tomas! Sou um amigo dela... – respondeu simpático. Pôs-se ao lado dela firmemente.
- Muito bem, espero que isso não se repita novamente! – exclamou em um tom duro.
- Bom, mas já que estão todos aqui... Aproveitem a festa! - a mãe dela afirmou mais flexível que o marido.
 A mãe de Raquel, então, levou o marido a contragosto para o andar de cima.
Raquel respirou aliviada.
Rebeca chegou a casa. A empregada a encontrou na sala. Notou para seu espanto que a garota estava toda molhada.
- O que aconteceu? Por que voltou nessa chuva? – Suzana encarou-a espantada.
Rebeca não pôde responder a nenhuma das perguntas. Abraçou a senhora fortemente.
Rebeca chorou soluçante nos ombros de Suzana.
- Mas o que foi? – perguntou de um jeito maternal. Quase sentindo se contagiar pela dor da moça.
- Eu o odeio! O odeio! – foram as únicas palavras que disse. Sua voz saiu embaçada pelo abraço – eu o odeio Suzana...
A festa já havia acabado. Tomas saia quando Raquel foi atrás dele.
- Tomas! – chamou-o.
Ouvindo, ele exibiu um sorriso vencedor. Virou-se para ela.
- Eu... Só quero agradecer por ter me defendido!...Se não fosse você meus pais iam me deixar de castigo pro resto da vida – riu-se ela meio sem jeito – Obrigada! – completou passando por cima de seu ego.
- Eu te disse que sou um cara legal! – sorriu colocando a mão sobre o rosto dela.
Antes que Raquel retirasse a mão dele, ele retirou rapidamente. O que ela estranhou muito.
- Até mais! – Tomas saiu rapidamente.
Vendo isso. Pedro se aproximou.
- Eu liguei pra Rebeca, mas ela não atendeu... – começou sério.
- Eu espero que ela esteja bem! – Raquel respondeu cabisbaixa.
- É tudo culpa daquele idiota do David!– respondeu ele mostrando raiva.
Raquel avistou ele torcer os pulsos de ciúmes. Isso a desconfortou.
- Ela ama ele! – falou Raquel firme.
- Mas ele não a merece! – disse Pedro.
- É... Se você tiver alguma noticia dela me liga... – ela mudou de assunto. Estava sobremaneira incomodada.
- Raquel... Eu andei pensando bastante. Eu não devia ter feito você mentir pros meus pais, me desculpa! – aproximou-se cauteloso – quem sabe, se a gente pudesse voltar a ser amigos de novo!
Raquel pensou então, que tudo que havia acontecido para ele não passava de um erro, que nada tinha significado. Será que não via que para ela não tinha sido assim?
- Pedro... Me desculpa! – abaixou os olhos. Levantou-os mais firme – mas eu já disse que eu não posso mais ser sua amiga.
- Eu não entendo! – começou confuso.
- Por favor... – ela apontou a porta – vai embora!
Pedro, então, saiu. No mesmo tom intrigado com o que a encarara.
Rebeca já seca estava em seu quarto. Suzana entrou com uma xícara de chocolate fumegante a surpreendendo.
 - Achei que precisaria! – ela sentou-se na cama entregando à xícara a garota.
- Obrigada – ela sorriu simpática.
Respirou profundamente aquele ar quente. Veio-lhe então, a memoria, todo o ocorrido daquela noite.
- Pode me contar o que aconteceu? – a empregada olhou-a mansamente - pelos seus olhos dá pra ver que é pelo David, não é?
Slash subiu na cama de repente. Colocou-se no colo de Rebeca aconchegando-se.
- Ele me acusou de ter traído ele todo este tempo com Pedro! – respondeu com ira.
- Mas o que aconteceu pra ele pensar assim? – a senhora falou incrédula.
- Não me importa o porquê!...Como ele pode pensar algo assim de mim?... – esbravejou visivelmente alterada – e teve coragem de me acusar depois de... – fechou os olhos tentando controlar a raiva – ele é um hipócrita! Um idiota!
- Filha, talvez tenha sido tudo um engano!
- Não tente defendê-lo Suzana!
- Eu não estou defendendo ele, eu só não quero que você sofra! Você ama esse rapaz!
Rebeca desviou o olhar tentando fugir da verdade proferida por aquela mulher.
- Mas se ele te ama, tenho certeza que acreditou quando disse a verdade a ele! – assegurou-se a empregada.
- Eu não disse a verdade a ele! – sorriu maliciosa – se é isso o que ele pensa, eu não me importo, e ainda confirmei as suspeitas dele!
- Rebeca! O que estava pensando? – Suzana repreendeu-a surpresa.
- Nada do que eu disse vai ferir mais do que ele me feriu! – exclamou magoada –... Mas ele vai me pagar!
Os olhos dela brilharam mais naquele momento.  

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014


Capitulo 97

Passos rápidos cortavam sobre os pingos da chuva. Fazia uma grande tempestade naquele momento. Rebeca corria sem rumo. Apenas queria ficar longe. Longe de David. Dos olhares da festa. Longe do que sentia.
Após andar bastante, descansou fatigada encostando-se a uma arvore. Sua roupa toda havia sido tomada pela água. Lagrimas teimavam em queimar-lhe o rosto. Respirou fundo tomando fôlego. Era como se lhe faltasse o ar. Como David tinha podido dizer aquelas palavras? A acusava veemente! Como se tivesse o direito de o fazê-lo.
Avistou uma enorme sombra aproximar-se. Quando a luz refletiu sobre a penumbra, pôde ver David.
- Vai embora! Eu já disse! – ela ordenou. Mas por dentro, estava se defendendo.
- Rebeca... – ele adiantou-se até ela rapidamente. Colocou as mãos sobre o seu rosto – só me diz que não é verdade! – implorou desesperado – me diz!
Ela tremeu com o toque tão intenso. Sentiu queimar-se, apesar das mãos dele estarem geladas.
- Me diz que não é verdade que você e o Pedro estavam juntos todo esse tempo! – os olhos dele mostraram sua aflição ao fixá-la até sua alma.
Rebeca sentiu uma enorme fúria. Como ele podia sequer cogitar isso? Ela tinha o amado como nunca, e ele a tinha recompensado apenas com dor.
- Como tem coragem de me acusar depois do que fez? – ela mostrou a face transtornada.
-... Não... Isso foi diferente... – David defendeu-se firme. Distanciou-se relutante.
- Como?  - aproximou-se encarando-o – você me enganou! Me fez acreditar em todas as mentiras que saíram dessa sua boca hipócrita! Nem sequer se importou com o que eu sentia!
- Olha aqui – olhou a sério – você não sabe os motivos que eu tive... – parou no meio da frase. Cerrou os pulsos em tom de impotência.
- Que motivos? – ela falou com raiva – me deixar pra ficar com a Pâmela? E depois inventar uma desculpa esfarrapada pra fugir com a consciência limpa?... Você não passa de um covarde!
As palavras de Rebeca calaram as dele de repente. Ela sabia muito bem o quanto isso o ferira.
- E agora o que achava?...Que voltaria de repente e eu cairia a seus pés? – ela olhou-o friamente – pois fique sabendo que pouco me importa o que pensa de mim!...Quer mesmo a verdade? Eu nunca te amei! Eu sempre fui apaixonada pelo Pedro! Você só foi um erro que atravessou o meu caminho... Um erro que eu nunca mais pretendo cometer! – completou em um tom duro.
O silencio reinou entre eles. A forte chuva se intensificava, mas apesar de seus enormes estrondos, nada era ouvido além de seus corações descompassados.
David sentiu correr sobre a pele, o enorme ódio que emanava do corpo dela.
- Não posso acreditar... – disse ele como saindo de um transe – que tudo que disse... Cada palavra foi uma mentira! – sua voz saiu com ira.
Rebeca afastou-se sentindo sua aproximação. Ainda estremecia.
- Que não tremia quando eu te tocava... – ele continuou em misto de raiva e angústia. As mãos dele correram pelo braço dela. Ela sentiu um intenso calafrio – que não perdia o folego só de me ter por perto...
A voz dele saiu enevoada. Rebeca estava como hipnotizada por seus olhos verdes que penetravam dentro dela.
- Já chega... – ela falou tentando escapar do que desejava.
Afastou-se de seus braços. Porém, quando atravessava a rua neblinada pela chuva, uma força a fez virar-se bruscamente. Apenas pôde ver aqueles olhos novamente, antes de avançarem em sua boca.
Ele puxou-a para mais perto pela cintura, pressionando seus lábios contra os dela ferozmente. Sentia vontade de devorá-los. Rebeca pareceu esquecer-se de ter qualquer pensamento ou reação lógica.  Ao ter o gosto dele sobre ela. Seu corpo quente a protegendo da chuva com seus braços. A boca ainda trêmula, sendo consumida por lábios abrasados por um desejo incontrolável. A chuva caia enevoando-os como um manto. As mãos dela teimavam em subir-lhes sobre o ombro, quando recuou com força.
Como se atrevia a beijá-la depois do que havia a acusado?
Rebeca, então, em fúria, virou-lhe o rosto com um forte golpe.
- Nunca mais... – cerrou os olhos com rancor – volte a tocar em mim outra vez!
David virou o rosto em chamas lentamente. Quando avistou os lados, ela já tinha desaparecido entre a chuva. Levantou a face deixando as gotas caíram sobre o lugar que ela batera. Nada. Nada poderia doer mais que suas palavras. Agora sabia a verdade. Tinha ouvido dos seus próprios lábios. Continuou estático, sendo banhado pelas aguas furtivas.
Raquel desesperada decidiu procurar por Rebeca, porém, Nicole chegou esbaforida outra vez.
- O que foi Nicole? Já sabem da Rebeca? – perguntou Raquel preocupada.
- Não, mas é pior!... Seus pais estão aqui! – avisou alarmada.
Antes que Raquel pudesse proferir qualquer palavra, seus pais entraram totalmente surpresos pela casa lotada.
- Raquel... – sua mãe olhou-a séria – o que esta acontecendo aqui? – posicionou-se colocando as mãos na cintura.
- Mãe? – ela tentou explicar-se –... Vocês não iam voltar só amanhã?
- Não viu a chuva? O voo foi cancelado! – seu pai respondeu a fuzilando com o olhar – mas não tente mudar de assunto... Por que estava dando uma festa?
Raquel estremeceu, estava sem saída.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014


Capitulo 96

A casa de Raquel estava lotada. Todos do colégio aparentemente estavam ali. Nicole viu Tomas olhando para Raquel, que continuava a receber a todos. Aproximou-se então dele.
- E ai? Ainda não conseguiu nada com ela? – encarou-o debochada.
- Não, mas isso não quer dizer nada! – alertou ele a vendo rir – eu sei que ela não vai resistir...
- Claro... – disse sarcástica. Apontou para direção que Raquel estava. Ela estava sozinha no momento – aí está a sua chance!
Tomas adiantou-se, então, até Raquel.
- Muito boa a festa! Fiquei muito feliz por ter me convidado! – ele exibiu a face contente.
- Eu não te convidei! Mas parece que decidiu vir do mesmo jeito, não é mesmo? – ela irritou-se.
- Você me deu um bolo aquele dia... – falou fingindo estar ofendido.
- Vai contar ao Pedro? – Raquel tremeu com medo de ele dizer a verdade.
- Não! – sua voz saiu absoluta – por que eu quero que você saiba que eu sou um cara legal! – colocou as mãos sobre o rosto dela, que rapidamente desviou.
Raquel fixou-o desconfiada, mas, em seu intimo, com alívio.
Pedro chegou procurando por Rebeca. Avistou-a então.
- Pensei que não vinha! – comentou sorrindo.
- A Raquel me mataria! – ela respondeu simpática.
- Minha mãe ficou sabendo sobre a gente... Ela pareceu gostar da noticia!
- Pedro... – Rebeca aproximou-se cabisbaixa – você entende que tudo isso é só fingimento, não é?
Rebeca estava angustiada, pois agora sabia com certeza sobre os sentimentos de Raquel. E a ultima coisa que desejava era machucá-la.
- Relaxa Rebeca... – ele disse apenas. Repousou a mão sobre o rosto dela – eu sei que você não sente nada por mim além de amizade – fixou nela os olhos confiantes - mas eu tenho certeza que um dia vai gostar de mim como eu gosto de você!
- Não Pedro! – ela falou firme. Não queria magoá-lo – eu nunca vou poder sentir nada por você! – saiu deixando-o confuso.
 Pedro ia atrás dela, quando Viviane o barrou:
- Deixa! Eu falo com ela! – ela disse para acalmá-lo.
Raquel chegou, pois tinha estranhado o jeito como sua amiga havia saído.
- O que aconteceu? – perguntou confusa a Pedro.
- Eu não sei... – falou ainda intrigado.
Viviane alcançou Rebeca.
- Eu ouvi tudo! – Viviane afirmou.
- Eu só não quero magoar ele! – levou às mãos a testa em tom fatigado – a Raquel está apaixonada por ele!
- E você pelo David... – exclamou sua amiga.
Rebeca cerrou os olhos cabisbaixos. Sabia que David deveria estar pensando que ela e Pedro estavam juntos. Mas pouco lhe importava o que pensasse dela. Assim ficaria longe dele pra sempre.
De repente, avistou para sua surpresa, David chegando à festa.
- O que está fazendo aqui? – ela o encarou fuzilante o vendo vir em sua direção.
- Eu vim falar com você! – ele disse diretamente. Não estava bêbado, porém, possuía uma ferocidade maior em seus atos – me deve uma explicação! – pegou no braço dela a fixando.
Logo os que estavam ali olharam a cena estáticos.
- Eu não te devo explicação de nada! – vociferou tentando retirar o braço – vai embora David!
Ele retirou o braço, recuando um passo.
- Vejo que eu não fui convidado, não é?... O que estão comemorando? – aproximou-se com fúria nos olhos – o quanto idiota eu fui em acreditar em você?...Que enquanto a gente tava junto você me enganava com aquele idiota?
O sangue efervesceu no corpo dela ao ouvir aquelas palavras.
- Vai embora! – ela gritou furiosa – eu não quero ouvir mais nada!
- É melhor você ir David! – Viviane alertou séria.
- Não! – ignorou o conselho de Viviane. Olhou Rebeca diretamente - Eu não vou sair daqui até que me diga a verdade!...Eu quero ouvir de você!
- Se você não vai... – Rebeca falou com firmeza – eu vou!
Saiu rápido em meio a todos os olhares atentos.
- Rebeca! – chamou sua amiga.
Pedro e Raquel permaneciam na outra sala, quando Nicole chegou esbaforida.
- Vocês não sabem o que aconteceu! O David apareceu e ele e a Rebeca discutiram!... Ele disse que a Rebeca estava traindo ele com o Pedro!
- O que? – Raquel não pôde acreditar no que ouviu – aonde ela está?
- Ela saiu correndo...
Raquel apavorou-se. Sabia que fazia uma grande tempestade lá fora.