segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014


Capitulo 103

Após, começava o ensaio. Mas estava cada vez mais difícil o entendimento entre todos.
- Muito bem... – anunciou a professora – vamos ensaiar a ultima cena!... Quando o príncipe finalmente encontra a cigana e declara seu amor a ela... Rebeca e David, preciso que venham ao centro do palco!
Os dois se olharam imediatamente. Um olhar frio chocou-se entre eles. Tiveram um gesto hesitante.
- Vamos! O que estão esperando? – incitou a senhora autoritária.
Os dois caminharam lentamente até o centro. Sem se encararem.
- Agora, vocês irão dançar! E quando David falar o texto, irão se beijar, ok?
- O que? – os dois falaram juntos encarando a professora.
- O que achavam? Estão interpretando um casal! – Elizabeth sustentou-se firme.
- Desculpe senhora! – Rebeca começou – mas acho que não será necessário!
- Que foi? Tem medo que o seu namoradinho Pedro fique com ciúme? – ele a provocou.
- Não, eu só não quero vomitar no palco mesmo! – rebateu ela com raiva.
- Sem discussões! – ordenou a professora – e vamos logo com isso! David! Pegue-a pela cintura!
Rebeca mesmo a contragosto consentiu em colaborar. Não demorou muito, e ela sentiu suas mãos cobrindo grande parte de seu corpo. Sentiu ele aproximar-se juntando-a para mais perto.
Porém, a cada passo que tentavam tomar, era evidente a falta de entrosamento e vontade entre eles.
- Quer parar de pisar no meu pé? – ela irritou-se.
- Perdão princesa, talvez eu pudesse acertar se parasse de ir pro outro lado!
- A culpa não é minha se você é um idiota desajeitado!
- Rebeca e David! Já chega! – exaltou-se Elizabeth – Rebeca! Deve deixar David conduzir!
Ele, então, exibiu um sorriso largo e cínico revelando uma face vencedora.
Logo, Rebeca vencida pela situação, deixou-se ser conduzida por seus passos largos. Os olhos dele procuravam não encontrar-se com os seus, pareciam extremamente desconfortados.
Os movimentos tornaram-se leves, e à medida que aumentaram, diminuía a distancia dos corpos. Rebeca pôde sentir a pele aquecer-se com a respiração de David sobre seu pescoço. Estremeceu ao ter as pernas dele levemente encostando nas suas enquanto rodavam. Parecia que nada existia ali além deles. Por um momento, quis imaginar que todas as suas palavras de ódio, todas as acusações, não passavam de um pesadelo.
A professora espantou-se com a cena, os dois interpretavam muito bem um casal apaixonado, pensou.
Enquanto que Carla, incomodava-se cada vez mais com aquela proximidade e chegava a pensar que talvez ainda existisse sentimento entre eles.
A música de repente esgotou-se. Os dois olharam assustados como despertando de um sonho. David soltou-se rapidamente.
- Acho que já chega desta cena! – falou Carla ainda segurando o botão do aparelho de som – quer saber? Achei bastante cafona, devemos trocar esse final por algo mais moderno.
- O que? Mas não pode mudar o que eu escrevi! – a professora contestou firme.
- Meu pai me deu autorização para fazer qualquer coisa que achasse necessário para melhorar o espetáculo!
- Eu sou a diretora aqui! Senão for do meu jeito não vou à frente dessa peça, já disse! Não vai mudar o meu texto! – exclamou a diretora.
“Veremos!”. Pensou Carla decidida.
Rebeca observou David descendo rapidamente do palco, era claro o desconforto e desprezo que ele sentia por ela.
- Por hoje é só! – avisou a senhora – nos vemos amanhã pessoal!
Rebeca permanecia ali, estática. Como era possível? Que com apenas um toque ele fosse capaz de fazê-la se sentir daquele modo?
- Olha, tenho que dizer que você interpreta muito bem! – Carla aproximou-se em um tom cínico – eu podia jurar que ainda sente algo por ele!... – avistou a face de Rebeca silenciosa – enquanto que o David, por outro lado, nem olhou pra você! – ela sorriu – sabe, ele estava falando comigo sobre você, disse que foi apenas uma diversão e que não significa nada pra ele!
Rebeca não deu resposta alguma. Pegando suas coisas saiu rapidamente do auditório.
Carla sorriu, então.
No dia seguinte, o diretor estava examinando alguns papeis, quando sua filha Carla apareceu.
- Filha, eu já não te falei para bater na porta antes?
- Pai, eu vim por que eu preciso de um favor seu... Eu preciso que me de autorização para mudar a peça!
- Mas, por que quer muda-la? – ele perguntou intrigado.
- Ela é muito brega e antiga... Eu estava pensando em algo mais moderno e original! – fez uma pequena massagem nos ombros do pai, sugestiva.
- Sinto muito princesa, a senhora Elizabeth só aceitou ser a diretora se respeitassem seu texto, perdoe-me, mas, não há nada que eu possa fazer, alias, ela é uma professora bastante competente!
Carla cruzou os braços em tom de impotência.
- Pelo menos poderia me conceder um pedido? – olhou-o suplicante. Ele balançou a cabeça concordando – eu quero que deixe eu me transferir pra esta escola!

3 comentários:

  1. Ai, eles tem que ficar juntos de novo! Pena que a Rebeca não baixa a guarda hehe
    a historia ta otima, to louca pelo proximo!
    beijos...:)

    ResponderExcluir
  2. Ja odeio essa Carla tomara que ela escorregue no proprio veneno!
    gostei muito do capitulo to louca pelo proximo!
    beijos...

    ResponderExcluir
  3. Esses dois nao tem jeito msm! Amei o capitulo, e ja viciei na web, gostei do jeito que voce faz com que todos os personagens tenham participaçao na historia e voce escreve muito bem, parabens!
    posta mais...
    beijos, visita la, e me avisa sempre que tive post novo!

    ResponderExcluir