quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014


Capitulo 97

Passos rápidos cortavam sobre os pingos da chuva. Fazia uma grande tempestade naquele momento. Rebeca corria sem rumo. Apenas queria ficar longe. Longe de David. Dos olhares da festa. Longe do que sentia.
Após andar bastante, descansou fatigada encostando-se a uma arvore. Sua roupa toda havia sido tomada pela água. Lagrimas teimavam em queimar-lhe o rosto. Respirou fundo tomando fôlego. Era como se lhe faltasse o ar. Como David tinha podido dizer aquelas palavras? A acusava veemente! Como se tivesse o direito de o fazê-lo.
Avistou uma enorme sombra aproximar-se. Quando a luz refletiu sobre a penumbra, pôde ver David.
- Vai embora! Eu já disse! – ela ordenou. Mas por dentro, estava se defendendo.
- Rebeca... – ele adiantou-se até ela rapidamente. Colocou as mãos sobre o seu rosto – só me diz que não é verdade! – implorou desesperado – me diz!
Ela tremeu com o toque tão intenso. Sentiu queimar-se, apesar das mãos dele estarem geladas.
- Me diz que não é verdade que você e o Pedro estavam juntos todo esse tempo! – os olhos dele mostraram sua aflição ao fixá-la até sua alma.
Rebeca sentiu uma enorme fúria. Como ele podia sequer cogitar isso? Ela tinha o amado como nunca, e ele a tinha recompensado apenas com dor.
- Como tem coragem de me acusar depois do que fez? – ela mostrou a face transtornada.
-... Não... Isso foi diferente... – David defendeu-se firme. Distanciou-se relutante.
- Como?  - aproximou-se encarando-o – você me enganou! Me fez acreditar em todas as mentiras que saíram dessa sua boca hipócrita! Nem sequer se importou com o que eu sentia!
- Olha aqui – olhou a sério – você não sabe os motivos que eu tive... – parou no meio da frase. Cerrou os pulsos em tom de impotência.
- Que motivos? – ela falou com raiva – me deixar pra ficar com a Pâmela? E depois inventar uma desculpa esfarrapada pra fugir com a consciência limpa?... Você não passa de um covarde!
As palavras de Rebeca calaram as dele de repente. Ela sabia muito bem o quanto isso o ferira.
- E agora o que achava?...Que voltaria de repente e eu cairia a seus pés? – ela olhou-o friamente – pois fique sabendo que pouco me importa o que pensa de mim!...Quer mesmo a verdade? Eu nunca te amei! Eu sempre fui apaixonada pelo Pedro! Você só foi um erro que atravessou o meu caminho... Um erro que eu nunca mais pretendo cometer! – completou em um tom duro.
O silencio reinou entre eles. A forte chuva se intensificava, mas apesar de seus enormes estrondos, nada era ouvido além de seus corações descompassados.
David sentiu correr sobre a pele, o enorme ódio que emanava do corpo dela.
- Não posso acreditar... – disse ele como saindo de um transe – que tudo que disse... Cada palavra foi uma mentira! – sua voz saiu com ira.
Rebeca afastou-se sentindo sua aproximação. Ainda estremecia.
- Que não tremia quando eu te tocava... – ele continuou em misto de raiva e angústia. As mãos dele correram pelo braço dela. Ela sentiu um intenso calafrio – que não perdia o folego só de me ter por perto...
A voz dele saiu enevoada. Rebeca estava como hipnotizada por seus olhos verdes que penetravam dentro dela.
- Já chega... – ela falou tentando escapar do que desejava.
Afastou-se de seus braços. Porém, quando atravessava a rua neblinada pela chuva, uma força a fez virar-se bruscamente. Apenas pôde ver aqueles olhos novamente, antes de avançarem em sua boca.
Ele puxou-a para mais perto pela cintura, pressionando seus lábios contra os dela ferozmente. Sentia vontade de devorá-los. Rebeca pareceu esquecer-se de ter qualquer pensamento ou reação lógica.  Ao ter o gosto dele sobre ela. Seu corpo quente a protegendo da chuva com seus braços. A boca ainda trêmula, sendo consumida por lábios abrasados por um desejo incontrolável. A chuva caia enevoando-os como um manto. As mãos dela teimavam em subir-lhes sobre o ombro, quando recuou com força.
Como se atrevia a beijá-la depois do que havia a acusado?
Rebeca, então, em fúria, virou-lhe o rosto com um forte golpe.
- Nunca mais... – cerrou os olhos com rancor – volte a tocar em mim outra vez!
David virou o rosto em chamas lentamente. Quando avistou os lados, ela já tinha desaparecido entre a chuva. Levantou a face deixando as gotas caíram sobre o lugar que ela batera. Nada. Nada poderia doer mais que suas palavras. Agora sabia a verdade. Tinha ouvido dos seus próprios lábios. Continuou estático, sendo banhado pelas aguas furtivas.
Raquel desesperada decidiu procurar por Rebeca, porém, Nicole chegou esbaforida outra vez.
- O que foi Nicole? Já sabem da Rebeca? – perguntou Raquel preocupada.
- Não, mas é pior!... Seus pais estão aqui! – avisou alarmada.
Antes que Raquel pudesse proferir qualquer palavra, seus pais entraram totalmente surpresos pela casa lotada.
- Raquel... – sua mãe olhou-a séria – o que esta acontecendo aqui? – posicionou-se colocando as mãos na cintura.
- Mãe? – ela tentou explicar-se –... Vocês não iam voltar só amanhã?
- Não viu a chuva? O voo foi cancelado! – seu pai respondeu a fuzilando com o olhar – mas não tente mudar de assunto... Por que estava dando uma festa?
Raquel estremeceu, estava sem saída.

2 comentários:

  1. Li a introducao e gostei muita da novela!
    Deu pra ver que vc manda muito bem na escrita!
    abraço

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  2. Olá, ainda não li este capitulo pois pretendo iniciar pelo primeiro, mas li a introdução e adorei, a historia parece ser bem lega, e você pelo jeito escreve muito bem. Obrigado pela visita, ja estou seguindo.

    Beijos
    deliriumliterario.blogspot.com.br

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